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15/06/2010 - 05h32

ONU investiga denúncias de estupros e assassinatos contra etnia no Quirguistão

A ONU está investigando denúncias de assassinatos e estupros sistemáticos contra a população de origem uzbeque no sul do Quirguistão.

Dezenas de milhares de pessoas da etnia uzbeque tiveram que deixar suas casas desde que a violência étnica explodiu na região próxima à fronteira com o Uzbequistão, na sexta-feira.

A população de etnia uzbeque acusa gangues de quirguizes de atear fogo em casas e matar moradores de origem uzbeque nas cidades de Osh e Jalalabad, no sul do país.

Testemunhas nessas cidades contaram ter vistos filas de casas queimadas e corpos jogados nas ruas.

A comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse que há provas de assassinatos indiscriminados - inclusive de crianças - e de estupros.

O porta-voz da comissária de Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, disse à BBC que há indicações de que estupros e assassinatos teriam sido planejados.

"Temos informações de que não é acidental, têm sido orquestrados, têm um alvo, foram planejados... não podemos provar isso ainda neste estágio, mas esta parece ser a indicação - o que é particularmente repreensível, dado que a região é altamente inflamável." Segundo as autoridades, 170 pessoas foram mortas desde sexta-feira.

A população uzbeque, no entanto, afirma que o número é mais alto e está fazendo sua própria contagem.

A correspondente da BBC em Osh, Rayhan Demytrie, disse que há informações de que houve novos choques durante a noite, e de que não há sinais de que a violência esteja prestes a terminar.

Refugiados uzbeques afirmam que veículos blindados passaram pelos bairros uzbeques de Osh atirando contra civis e abrindo o caminho para as gangues que vinham atrás.

Corredor humanitário O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, disse que o governo do Quirguistão precisa estabelecer um corredor humanitário para levar ajuda às pessoas afetadas pela violência étnica.

Pascoe afirmou que também é preciso ajudar o governo do Uzbequistão para que o país possa lidar com o fluxo de refugiados.

Segundo a Cruz Vermelha Internacional, cerca de 95 mil quirguizes de origem uzbeque atravessaram a fronteira para o Uzbequistão nos últimos dias, fugindo dos confrontos. Há informações de que dezenas de milhares permanecem na fronteira, entre eles muitas mulheres e crianças.

O governo interino do Quirguistão, que chegou ao poder depois que violentos protestos derrubaram o governo anterior, responsabilizou os simpatizantes do presidente derrubado, Kurmanbek Bakiyev, pelos confrontos.

Bakiyev, que vive no exílio em Belarus, ainda conta com amplo apoio no sul do Quirguistão, mas nega estar envolvido.

Corpos nas ruas Pascoe informou ao Conselho de Segurança da ONU sobre a situação e disse a jornalistas que havia reforçado a necessidade de "levar algo para lá imediatamente".

"Os refugiados - se eles conseguirem atravessar a fronteira - também são grande fonte de preocupação para nós", disse ele.

"O que estamos tentando é prestar assistência suficiente (ao Uzbequistão) para que eles possam se sentir confortáveis com o fluxo de refugiados chegando ao país." Há informações de que o governo uzbeque estaria pensando em fechar a fronteira. Testemunhas em Osh e Jalalabad contaram ter vistos filas de casas queimadas e corpos jogados nas ruas.

A população de origem uzbeque corresponde a cerca de 15% da população de 5,5 milhões de pessoas do Quirguistão.

A colcha de retalhos de grupos étnicos da Ásia central, que competem pela riqueza e recursos em países controlados por rivais, foi descrita por oficiais da ONU como "altamente inflamável".

Eles afirmam que a violência - a pior vista na região desde os tempos soviéticos, vinte anos atrás - precisa ser interrompida imediatamente, ou poderia se espalhar para outros países.

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