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18/06/2010 - 20h22

Mortos em conflitos no Quirguistão podem chegar a 2 mil, diz governo

A líder interina do Quirguistão, Roza Otunbayeva, afirmou que 2 mil pessoas já morreram no pior conflito étnico no país em décadas.

Oficialmente, pelo menos 191 pessoas foram mortas durante conflitos entre as etnias uzbeque e quirguiz na região das cidades de Osh e Jalalabad, no sul do país.

Mas Otunbayeva afirmou a um jornal russo que a quantidade de mortos pode ser "dez vezes maior do que revelam os números oficiais".

Segundo ela, o número exato de vítimas poderá nunca ser conhecido, já que os mortos costumam ser imediatamente enterrados por suas famílias.

Em meio à crise, o enviado especial dos Estados Unidos à região, Robert Blake, pediu nesta sexta-feira, durante visita a um campo de refugiados, a realização de uma investigação sobre a onda de violência étnica. Ele seguirá agora à capital do país, Bishkek, para encontros com líderes quirguizes.

Crise Cerca de 400 mil pessoas da etnia uzbeque fugiram de casa desde que a violência étnica explodiu na região próxima à fronteira com o Uzbequistão, na sexta-feira passada.

Otunbayeva viajou a Osh nesta sexta-feira pela primeira vez desde o início da crise.

"Eu vim aqui para ver, falar com as pessoas e ouvir em primeira mão o que aconteceu", afirmou ela na praça principal da cidade. Ela rejeitou as críticas sobre sua atuação na crise. "Vamos fazer de tudo para reconstruir esta cidade." Em tentativa de controlar a situação, o governo quirguiz já havia pedido à Rússia o envio de forças de paz à região dos conflitos. Mas Moscou rejeitou a solicitação e se limitou a oferecer assistência técnica para as operações de busca aos responsáveis pelos ataques.

A população de etnia uzbeque acusa gangues de quirguizes de atear fogo em casas e matar moradores de origem uzbeque. Entre os refugiados em campos no Uzbequistão, há relatos de estupros, assassinatos em massa e espancamentos.

A Cruz Vermelha Internacional qualificou a situação como uma "imensa crise", com falta de abrigo, água, medicamentos e alimentos nas regiões atingidas.

Governo interino O governo interino do Quirguistão, que chegou ao poder depois que violentos protestos derrubaram o governo anterior, responsabilizou pela onda de violência os simpatizantes do presidente derrubado, Kurmanbek Bakiyev, atualmente no exílio.

As autoridades do país também acusam o ex-presidente de buscar impedir a realização do referendo para reforma constitucional marcado para 27 de junho. Mas, segundo o governo interino, o pleito será mantido.

Os habitantes de origem uzbeque correspondem a cerca de 15% da população de 5,5 milhões de pessoas do Quirguistão e apoiam, em sua maioria, o governo interino. Mas Bakiyev tem apoio de muitos quirguizes no norte.

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