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23/06/2010 - 20h31

General McChrystal passa de bem-visto pela mídia à comandante encrenqueiro

O general Stanley McChrystal ocupava o comando das forças dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão desde maio de 2009.

Ele perdeu o cargo após ter criticado o embaixador americano em Kabul, Karl Eikenberry, e transformado em alvo de piadas o enviado especial americano ao Paquistão e Afeganistão, Richard Holbrooke. Nem o próprio Obama teria escapado de suas críticas, segundo relato de um de seus assessores.

Com a demissão, o militar pediu desculpas pelos comentários. "Foi um erro que reflete mau julgamento, que nunca poderia ter ocorrido", afirmou McChrystal havia sido escolhido para o cargo pelo secretário de defesa, Robert Gates, por "trazer um novo olhar ao problema afegão". Era também bem-visto pela imprensa americana por sua luta contra rebeldes do Talebã.

Ele cultivava a imagem de soldado espartano, com sua rotina diária de quatro horas de sono, onze quilômetros de corrida e apenas uma refeição. Conflitos Politicamente, porém, sua situação não era simples. Por duas vezes, viu-se em maus lençóis com Obama.

No ano passado, o presidente o repreendeu por defender abertamente o envio de mais tropas ao Afeganistão.

McChrystal havia afirmado à Casa Branca que sua missão no país poderia fracassar em 12 meses sem o reforço de novos soldados e maior treinamento para as forças afegãs. Também não poupou críticas ao governo afegão.

No segundo - e derradeiro - episódio, o general foi chamado de volta a Washington, no começo de junho, depois de suas críticas à administração Obama na entrevista à revista Rolling Stone. Segundo a publicação, na ocasião, seus auxiliares fizeram piadas com o vice-presidente Joe Biden e o assessor de segurança da Casa Branca, James Jones.

A revista também sugeriu que o general teria afirmado que ficou decepcionado com o comportamento do próprio Obama em um dos seus primeiros encontros. "Foi uma sessão de foto de dez minutos", disse um assessor não identificado. "Obama não sabia nada sobre ele." Após as críticas, o jornal The Washington Post afirmou que as declarações levantavam "novas questões sobre sua capacidade de julgamento e estilo de liderança do general".

Decepção Quando apontado para o cargo, general McChrystal parecia representar o futuro do planejamento militar vislumbrado por Obama e Gates. A nova estratégia previa combates menos convencionais e mais assimétricos.

Logo de início, McChrystal deixou claro às suas forças que era preciso abandonar a visão de que lutavam contra o Talebã e seus aliados. Em vez disso, deveriam concentrar a atuação na proteção a civis afegãos.

Na prática, essa mudança de foco significava o fim dos ataques aéreos indiscriminados, responsáveis por muitas mortes de civis. Em contrapartida, era preciso aumentar o número de soldados para formação de mais patrulhas.

Depois de longas e complicadas negociações com Obama, o general conseguiu sinal verde parar levar mais 30 mil soldados ao país, ainda que sob a promessa de reduzir o tamanho da tropa a partir de junho de 2008.

Carreira Nascido em 1954 em uma família militar, McChrystal graduou-se na academia militar de West Point em 1976. Nas três décadas seguinte, progrediu na carreira com posições de comando em operações convencionais e especiais, inclusive na Guerra do Golfo.

Em setembro de 2003, ele ingressou nas Operações Especiais Unidas (JSOC, em inglês), responsáveis pelo planejamento e execuções de operações sigilosas a cargo de forças especiais militares no exterior.

Pouco é divulgado sobre sua passagem pelas JSOC. Sabe-se, porém, que, sob seu comando, as JSOC capturaram o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e mataram o líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.

O general é também conhecido por ter se aproximado de outras organizações militares e de inteligência, como a CIA, da qual as JSOC tradicionalmente mantinham distância.

Em 2007, a reputação do militar sofreu alguns arranhões depois de o Pentágono revelar que um soldado, condecorado graças à recomendação de McCrhystal, havia matado acidentalmente um jogador de futebol no Afeganistão.

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