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25/06/2010 - 19h46

Vaticano diz estar 'indignado' com blitz na sede da Igreja na Bélgica

A Secretaria de Estado do Vaticano divulgou nesta sexta-feira uma nota oficial criticando a ação da polícia da Bélgica, que realizou na quinta-feira uma operação de busca e apreensão no Palácio do Arcebispo de Mechelen-Bruxelas, sede da Igreja Católica do país, e em outros dois locais por suspeita de abuso sexual de menores por parte de membros do clero. Na nota oficial, o Vaticano manifestou indignação por terem sido violados os túmulos de dois arcebispos durante a operação. "A Secretaria de Estado expressa espanto pela forma como foram efetuadas algumas buscas por parte das autoridades belgas e indignação pelo fato que tenha ocorrido a violação dos túmulos dos cardeais Jozef-Ernest Van Roey e Léon-Joseph Suenes, arcebispos falecidos de Bruxelas", diz a nota. Segundo a imprensa belga, a busca foi realizada na quinta-feira após novas denúncias de abusos sexuais que teriam sido cometidos contra menores por parte de religiosos. Além da sede do arcebispado, os agentes fizeram buscas na cripta da catedral de Saint-Rombout, em Mechelen, à procura de dossiês sobre casos de pedofilia que teriam sido escondidos no túmulo de um arcebispo. De acordo com jornais da Bélgica, a Procuradoria de Bruxelas teria confirmado a abertura de um túmulo na cripta da catedral de Bruxelas, mas não teria feito comentários sobre a reação do Vaticano. Além de criticar o método usado pela polícia, o Vaticano também lamentou que não foi respeitada a privacidade das vítimas. "Ao espanto por estas ações, se acrescenta o pesar por ter sido cometida infração do sigilo ao qual as vítimas têm direito", diz o texto. Condenação No comunicado, a Santa Sé volta a condenar os abusos cometidos contra menores e reafirma o interesse em colaborar com a Justiça. "A Secretaria de Estado confirma a total condenação de qualquer ato pecaminoso e criminoso de abuso de menores por parte de membros da Igreja, e a necessidade de enfrentar tais atos conforme as exigências da Justiça e os ensinamentos do Evangelho." A posição do Vaticano foi informada oficialmente ao embaixador da Bélgica na Santa Sé, Charles Ghislain, durante um encontro com o secretário para a Relação com os Estados, monsenhor Dominique Mamberti, nesta sexta-feira. A Secretaria de Estado da Santa Sé tomou conhecimento da operação policial após ter recebido uma carta do porta-voz da Conferência Episcopal da Bélgica, Eric de Beukelaer. Segundo Beukelaer, as autoridades judiciais e agentes da polícia entraram na sede do arcebispado durante uma reunião dos bispos, às 10h30 da manhã de quinta-feira, e ficaram lá até as 19h30. "Avisaram que fariam uma busca após denúncias de abusos sexuais, mas não houve nenhuma explicação. Confiscaram telefones celulares e documentos e avisaram que era proibido deixar o prédio. Bispos e funcionários foram interrogados", diz a carta que o Vaticano divulgou junto com a nota da Secretaria de Estado. Em seu relato, o religioso não critica a operação da polícia, mas lamenta a apreensão do material de uma comissão, organizada pela Igreja Católica, que examina as denúncias de abusos sexuais envolvendo religiosos. "Durante uma outra busca, todos os dossiês foram apreendidos e isto é contrário ao direito de privacidade das vítimas, que decidiram procurar esta comissão, prejudicando gravemente seu excelente trabalho", diz a carta dos bispos. As autoridades belgas estariam procurando elementos que comprovem a cumplicidade da hierarquia da Igreja Católica nos casos de abusos cometidos por sacerdotes, ao impedir sistematicamente que os culpados fossem entregues à Justiça Civil.

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