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04/07/2010 - 08h51 / Atualizada 04/07/2010 - 08h55

México reforça segurança para eleições

O México vai às urnas neste domingo para eleger 10 governos locais, prefeituras e assembleias regionais. Pela primeira vez em quase duas décadas, a atenção está concentrada não apenas nos resultados, mas também no clima de violência que poderá afetar a votação em alguns Estados.

Cartéis de droga ameaçaram as campanhas de vários partidos e nesta semana foi assassinado o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) ao governo de Tamaulipas, Rodolfo Torre Cantú.

A segurança foi reforçada durante a campanha em Estados com forte presença de narcotraficantes, como Chihuahua, Durango, Sinaloa e Tamaulipas.

Nos municípios de Valle de Juarez, uma das principais zonas do tráfico de drogas para os Estados Unidos, o Instituto Eleitoral de Chihuahua pediu apoio da Polícia Federal para vigiar os comícios.

O clima de medo e violência é inédito e demonstra o poder do crime organizado no país, segundo analistas.

"Este é o grande problema dessas eleições que, sem dúvida, se refletirá nos atos permanentes de violência, como se demonstrou em Tamaulipas", disse à BBC Mundo Juan Maria Alponte, catedrático de Ciências Políticas da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

Diante das ameaças, o Ministério de Governança assinou um protocolo de segurança com os governos dos Estados onde haverá eleições para garantir a segurança dos eleitores.

"Trabalharemos juntos para facilitar que vocês possam comparecer às urnas neste domingo para exercer seu direito e cumprir com seu dever de mexicanos", disse o ministro Fernando Gómez Mont.

Novo cenário Até a semana passada, o principal foco de atenção era o resultado das alianças entre os partidos da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o conservador Ação Nacional (PAN).

Algumas pesquisas mostram que a aliança poderia derrotar o PRI em Estados onde o partido sempre governou, como Oaxaca e Sinaloa.

Mas a morte de Torre Cantú, o mais grave incidente de violência política desde o assassinato do candidato presidencial Luis Donaldo Colosio, em 1994, mudou o cenário.

O assassinato demonstra que o crime organizado pretende influir nas eleições, segundo reconheceu o próprio presidente mexicano, Felipe Calderón.

Alguns vêem a ofensiva como uma mudança importante na atuação das quadrilhas de narcotraficantes.

"Há uma escalada da influência dos cartéis de drogas na política mexicana", disse à BBC Mundo Lorenzo Córdoba, do Instituto de Investigações Jurídicas da UNAM.

O presidente Calderón convocou um diálogo nacional com todos os atores políticos, para enfrentar as ameaças do crime organizado.

O PRD e o PAN já aceitaram o convite, mas o PRI, que governa 19 dos 32 Estados do país, afirmou que só dialoga depois das eleições.

Segundo o catedrático Juan Maria Alponte, da UNAM, será necessário mais do que uma eleição para acabar com a violência no México.

"A sociedade não acredita na Justiça. E uma das bases da convivência é acreditar nos fundamentos jurídicos", completou.

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