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04/07/2010 - 21h27 / Atualizada 04/07/2010 - 21h45

Mexico vota em eleições regionais marcadas pelo temor à violência

A votação para eleger governos locais, prefeituras e assembleias regionais já foi encerrada em algumas regiões do México em uma eleição marcada pela tensão e temor pelo clima de violência que seria causada pelos cartéis de tráfico de drogas.

A votação ocorre em 14 dos 31 Estados mexicanos e um distrito federal.

Cartéis de tráfico de drogas ameaçaram as campanhas de vários partidos e na semana passada foi assassinado o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) ao governo de Tamaulipas, Rodolfo Torre Cantú.

A segurança foi reforçada durante a campanha em Estados com forte presença de narcotraficantes, como Chihuahua, Durango, Sinaloa e Tamaulipas.

No município de Valle de Juarez, uma das principais zonas do tráfico de drogas para os Estados Unidos, o Instituto Eleitoral de Chihuahua pediu apoio da Polícia Federal para vigiar os comícios.

De acordo com o correspondente da BBC na Cidade do México Julian Miglierini, a votação transcorreu em meio às medidas de segurança sem maiores incidentes, mas alguns partidos reclamaram de intimidação aos eleitores em alguns estados.

O partido de oposição PRI afirmou que, em pelo menos dois Estados, Zacatecas e Durango, grupos de homens armados e com os rostos cobertos intimidaram os eleitores perto dos locais de votação.

No Estado mexicano de Durango, segundo o correspondente, uma autoridade eleitoral afirmou que pelo menos três homens armados entraram no local de votação, roubaram urnas e dispararam para o alto antes de deixar o local.

Os resultados preliminares divulgados na noite de domingo sugerem que o PRI conseguiu grandes vitórias nas eleições.

Novo cenário Até a semana passada, o principal foco de atenção era o resultado das alianças entre os partidos da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, e o conservador Ação Nacional (PAN).

Algumas pesquisas mostram que a aliança poderia derrotar o PRI em Estados onde o partido sempre governou, como Oaxaca e Sinaloa.

Mas a morte de Torre Cantú, o mais grave incidente de violência política desde o assassinato do candidato presidencial Luis Donaldo Colosio, em 1994, mudou o cenário.

O assassinato demonstra que o crime organizado pretende influir nas eleições, segundo reconheceu o próprio presidente mexicano, Felipe Calderón.

O presidente Calderón convocou um diálogo nacional com todos os atores políticos, para enfrentar as ameaças do crime organizado.

O PRD e o PAN já aceitaram o convite, mas o PRI, que governa 19 dos 31 Estados do país, afirmou que só dialoga depois das eleições.

Segundo o catedrático Juan Maria Alponte, da UNAM, será necessário mais do que uma eleição para acabar com a violência no México.

"A sociedade não acredita na Justiça. E uma das bases da convivência é acreditar nos fundamentos jurídicos", completou.

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