UOL Notícias Notícias
 
06/07/2010 - 22h04 / Atualizada 06/07/2010 - 22h12

Análise: O que esperar do encontro entre os líderes dos EUA e Israel

Antes de que Benjamin Netanyahu e Barack Obama possam discutir maneiras de retomar as negociações de paz entre Israel e palestinos, os dois líderes vão querer mostrar ao mundo que seu relacionamento pessoal, e o relacionamento entre seus respectivos países, é sólido como uma rocha.

Mas assim que for concluído o ritual dos apertos de mão, sorrisos, tapas nas costas e fotos oficiais (não houve, aliás, registro fotográfico do último, gelado encontro dos dois na Casa Branca) os dois líderes vão ter de conversar sobre por que seu relacionamento se deteriorou tanto no início do ano.

Netanyahu disse que ouviu (o líder americano) e, desde então, fez o possível para acomodar as exigências dos palestinos.

Entre os gestos positivos do líder israelense estaria, por exemplo, o congelamento na construção de novos assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada.

Esses são gestos que, de acordo com os israelenses, deveriam ser mais do que suficientes para trazer os palestinos de volta à mesa de negociações.

Novos Assentamentos Os líderes palestinos dizem, no entanto, que as medidas israelenses são vazias e não têm significado. "A construção de assentamentos continua por toda parte", diz Ghassan Khateeb, da Autoridade Palestina, ressaltando o fato de que programas atuais de construção continuam.

Os palestinos também estão profundamente enraivecidos com novos planos israelenses de construir na Jerusalém Oriental ocupada.

Israelenses e palestinos reivindicam a cidade como sua capital, mas Netanyahu insiste que Jerusalém continuará sob o controle de Israel e não será dividida.

O que importa em Washington nessa semana, no entanto, é como Obama vê a situação hoje.

Será que ele vai concluir que os "gestos" de Israel vão longe o suficiente para permitir uma retomada das negociações diretas de paz? Ou será que ele vai colocar mais pressão sobre Netanyahu para que o líder israelense suspenda o polêmico plano de demolir casas palestinas em Jerusalém Oriental? Negociações Indiretas Os analistas dizem que não se pode esperar muito. Benjamin Netanyahu não tem muito mais espaço para manobras.

Membros do seu partido, o Likud, e outras figuras influentes da coalizão de direita já estão exigindo uma retomada integral de todos os programas de construção nos assentamentos a partir de setembro - na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

E os líderes palestinos, por sua vez, não estão com pressa de sentar à mesa para negociar.

Por enquanto, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e seus assessores preferem continuar negociando indiretamente com o ex-senador americano George Mitchell.

Às voltas com seus próprios problemas políticos em casa, Obama pode, no final do dia, concluir que colocar muita pressão sobre israelenses e palestinos pode não trazer muitos resultados - pelo menos nesse momento.

Portanto, uma bela foto de Netanyahu ao lado de um sorridente Obama pode ser a única coisa que o líder israelense levará na mala quando sair de Washington no final da semana.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h20

    0,10
    3,269
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h25

    -0,60
    63.700,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host