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08/07/2010 - 23h00 / Atualizada 08/07/2010 - 23h02

EUA e Rússia fecham acordo para 'troca de espiões'

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a deportação de dez pessoas acusadas de fazer espionagem para a Rússia em troca da libertação por parte do governo russo de quatro condenados pela mesma acusação por Moscou.

A troca de prisioneiros, que está sendo classificada pela imprensa americana como a primeira entre os dois países em décadas, foi anunciada após os dez suspeitos terem confessado estarem agindo como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York nesta quinta-feira.

Após as confissões, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Os suspeitos deportados dos Estados Unidos devem chegar à Rússia na manhã desta sexta-feira.

Troca Pouco após a decisão da corte, o Departamento de Estado americano divulgou um comunicado onde confirma a deportação dos suspeitos em troca da libertação de quatro pessoas que estão detidas na Rússia.

"Os Estados Unidos e a Federação Russa concordaram que os EUA devem levar estes indivíduos para o exterior e entregá-los às autoridades russas. Em troca, a Federação Russa deve libertar quatro indivíduos que estão encarcerados na Rússia", diz o comunicado.

Os quatro presos que devem ser libertados pela Rússia são acusados de terem ligações com agências de inteligência de países ocidentais, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.

Segundo informações divulgadas pela agência de notícias russa Itar-Tass, eles teriam sido perdoados pelo presidente Dmitry Medvedev nesta quinta-feira.

Espiões Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

Durante a audiência desta quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros. Nove dos suspeitos têm nacionalidade russa, enquanto outra nasceu no Peru.

Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional".

"Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros Um dos prisioneiros que devem ser libertados pela Rússia devido à troca com os EUA é o cientista nuclear Igor Sutyagin, que estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou.

Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.

Segundo a agência de notícias estatal russa Itar-Tass, além de Sutyagin, foram perdoados por um decreto do governo russo Sergei Skripal, condenado em 2006 por supostamente espionar para o governo britânico; Alexander Zaporozhsky, ex-agente dos serviços de inteligência russa preso em 2006; e Gennadiy Vasilenko.

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