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12/07/2010 - 18h56

Sarkozy defende ministro acusado de receber doação ilegal

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu nesta segunda-feira um ministro que é acusado de ter recebido doações ilegais de até 150 mil euros (cerca de R$ 334 mil) para a campanha presidencial de Sarkozy e que está no centro da mais grave crise política enfrentada pelo líder francês desde sua eleição, em 2007.

Em depoimento à polícia, uma mulher alegou que o ministro do Trabalho, Eric Woerth, recebeu a quantia da bilionária herdeira da L'Oréal, empresa do setor de cosméticos, Liliane Bettencourt. A mulher mais rica da França é acusada de evasão fiscal, e as acusações surgiram durante as investigações sobre o caso.

"Mantenho toda minha confiança em Woerth. Ele será o ministro que vai conduzir a reforma da aposentadoria. É um homem honesto e competente. Ele acaba de sofrer, com dignidade, calúnias e mentiras durante três semanas", disse Sarkozy em uma entrevista ao canal de TV France 2, que durou pouco mais de uma hora.

Reformas O presidente francês declarou que ele também é vítima de calúnias "porque está fazendo reformas" no país.

"Fui preparado, fui eleito para resolver o problema dos franceses. As reformas incomodam um certo número de pessoas. E a resposta é normalmente a calúnia", disse Sarkozy.

O líder francês relembrou que há três meses ele e sua esposa, Carla Bruni, foram vítimas dos "piores boatos" sobre suas vidas privadas, quando foram acusados de ter relações extraconjugais.

"E então, com a reforma da aposentadoria, sou descrito como alguém que durante 20 anos iria à casa de Liliane Bettencourt buscar envelopes de dinheiro. É uma vergonha", disse Sarkozy.

Envelopes A ex-contadora da herdeira da L'Oréal, Claire Thibout, teria declarado ao site Mediapart que Sarkozy, na época em que foi prefeito de Neuilly-sur-Seine, de 1983 a 2002, ia regularmente à mansão da família Bettencourt, como outros políticos, e saía com "envelopes de dinheiro".

Em novo depoimento à polícia na semana passada, Thibout negou ter feito as declarações.

Entretanto, ela manteve no depoimento a acusação de que o ministro Woerth teria recebido 150 mil euros para financiar a campanha presidencial de Sarkozy.

Na França, a quantia máxima que uma pessoa física pode doar a um partido político é 7,5 mil euros por ano. As empresas estão proibidas de fazer doações.

Para provar que não seria íntimo da família Bettencourt, Sarkozy afirmou na entrevista à TV que o ex-mordomo da bilionária declarou em depoimento à polícia ter visto Sarkozy "duas, talvez três vezes", sempre acompanhado de outras pessoas, durante os 17 anos que trabalhou na residência da herdeira.

O presidente francês também declarou ter "aconselhado" o ministro do Trabalho de renunciar a sua função de tesoureiro do partido UMP. Woerth já havia evocado essa possibilidade em uma entrevista a uma rádio nesta segunda-feira.

A polícia francesa realizou nesta segunda-feira mais sete operações de busca e apreensão de documentos nas casas e escritórios de pessoas envolvidas nas investigações sobre a suposta evasão fiscal realizada pela herdeira da L'Oréal.

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