UOL Notícias Notícias
 
16/07/2010 - 16h35

Americano pega prisão perpétua por espionar para Cuba

Um ex-funcionário aposentado do departamento de Estado americano de 73 anos foi condenado nesta sexta-feira à prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional, por ter espionado por décadas para Cuba nos Estados Unidos.

A esposa do americano Kendall Myers, Gwendolyn, de 72 anos, também foi condenada a seis anos e nove meses de prisão por ajudar nas atividades do marido.

O juiz do caso, Reggie Walton, disse que o casal merecia uma severa punição por trair os Estados Unidos e se disse perplexo pelo fato de os dois declararem não ter consciência de estar prejudicando o país.

Em sua defesa, Myers disse que foi motivado pela ideologia comunista e pela convicção de que o povo cubano se sentiria ameaçado pelos Estados Unidos.

"Nosso objetivo era ajudar os cubanos a defender sua revolução. Esperávamos saber com antecedência (se ocorresse) conflito entre os dois países", disse ele.

Encontro com Fidel Uma operação do FBI (polícia federal americana) levou à prisão dos dois. Um agente disfarçado, fingindo ser um espião cubano, extraiu informações sobre suas atividades.

Em 1978, um agente cubano teria contatado e cooptado os dois para que fornecessem informações para o governo do país.

Myers ingressou no Departamento de Estado em 1977, quando começou a ter acesso a documentos secretos.

Em 1982, casou-se com Gwendolyn. Ela trabalhava como analista em um banco em Washington e nunca recebeu permissão para acessar arquivos secretos.

Documentos oficiais revelam que os métodos de espionagem usados por eles foram se modernizando com o tempo, começando com mensagens em código Morse enviadas por meio de ondas curtas. Quando se aposentaram, em 2007, eles enviavam e-mails encriptados de lan houses.

Economia As informações transmitidas eram, em sua maioria, de natureza econômica.

Os documentos dizem que o casal recebeu pouco dinheiro em troca das informações, prosseguindo como espiões por apoiarem o regime cubano.

Certa vez, Myers teria sido agraciado com um encontro de mais de 4 horas de duração com o líder cubano, Fidel Castro.

A investigação começou após uma análise do computador de Myers no Departamento de Estado ter indicado que ele acessou, entre 2006 e 2007, mais de 200 relatórios secretos sobre Cuba e que não teriam nenhuma relação com seu trabalho, ligado à Europa.

O departamento de Estado não disse qual o prejuízo causado pela espionagem de Myers, mas especialistas ouvidos pelo jornal americano The Washington Post disseram que eles revelaram por anos informações secretas dos EUA e aliados, além de bancos de dados da CIA (agência de inteligência americana) e outros órgãos do país.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,97
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,99
    64.389,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host