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19/07/2010 - 14h29

Coleta de inteligência nos EUA é falha e gera desperdício, diz jornal

Uma investigação feita pelo jornal americano The Washington Post, divulgada nesta segunda-feira, indica que as operações de coleta de dados de inteligência nos Estados Unidos aumentaram tanto depois do 11 de Setembro que hoje não é mais possível determinar a eficácia delas para proteger o país.

Segundo o jornal, hoje ninguém tem ao certo a noção do custo ou de quantas pessoas estariam envolvidas na coleta de inteligência, nem quantas agências fazem o mesmo trabalho no país.

O Washington Post investigou o tema por dois anos e afirma que quase mil empresas privadas e 1.270 agências governamentais estão envolvidas em operações para conter o terrorismo em cerca de 10 mil locais.

A publicação diz que esse crescimento da indústria de inteligência, com bilhões de dólares injetados em empresas privadas e agências governamentais, resultou em um sistema que carece de supervisão e tem um alto grau de desperdício.

Cerca de 20% das organizações americanas para combater o terrorismo foram criadas após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Washington e Nova York.

Relatórios demais Muitas agências produzem tantos relatórios que estes acabam sendo frequentemente ignorados pelo governo, diz o Washington Post. Representantes do governo ouvidos admitiram falhas, mas questionaram as conclusões do jornal.

"A reportagem não reflete a comunidade de inteligência que conhecemos", disse o diretor nacional de inteligência interino, David Gompert.

"Reconhecemos que operamos em um ambiente que limita a quantidade de informação que podemos compartilhar. Entretanto, o fato é que os homens e mulheres da comunidade de inteligência têm melhorado nossas operações, evitado ataques, e estão tendo vitórias que não são divulgadas todos os dias." Antes mesmo da reportagem ser publicada, a Casa Branca disse estar ciente de problemas nesse setor e afirmou estar tentando resolvê-los.

O analista de segurança da BBC Nick Childs diz que incidentes recentes, como as tentativas frustradas de ataque em um voo de Detroit para Amsterdã no natal passado e em Times Square, Nova York, em maio, vêm expondo as fraquezas do sistema de coleta de dados de inteligência.

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