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20/07/2010 - 16h41

Guerra no Iraque elevou risco de terrorismo, diz ex-espiã-chefe britânica

A invasão do Iraque, em 2003, aumentou "substancialmente" o risco de ataques terroristas na Grã-Bretanha, disse nesta terça-feira a ex-chefe do serviço secreto doméstico britânico, conhecido como MI5, Eliza Manningham-Buller.

"Nosso envolvimento no Iraque radicalizou toda uma geração de jovens, alguns deles britânicos, que viram nosso envolvimento no país, assim como no Afeganistão, como um ataque ao Islã", disse ela em depoimento ao inquérito Chilcot, que investiga as decisões tomadas antes e depois do início das operações militares britânicas no Iraque.

"(A invasão do) Iraque deu um novo ímpeto para as pessoas se engajarem no terrorismo. A guerra iraquiana aumentou a visão extremista de que o Ocidente estaria tentando derrubar o islamismo", disse ela.

"Nós demos a (Osama) Bin Laden a sua jihad (guerra santa)", completou.

Para ela, levando-se em conta este contexto, o envolvimento de cidadãos britânicos nos ataques em Londres de 2005, que mataram 52 pessoas, "não foram surpresa".

Confiança Manningham-Buller chefiou o MI5, responsável pela inteligência dentro da Grã-Bretanha, entre 2002 e 2007.

Durante o depoimento desta terça-feira, ela disse que as informações coletadas antes do início da invasão ao Iraque não seriam "fortes o suficiente" para justificar a ação militar.

Um ano antes da guerra, ela disse ter alertado membros do governo britânico de que a ameaça representada pelo Iraque seria "muito limitada" e que as informações sobre as armas de destruição em massa que alegadamente estavam em poder dos iraquianos eram "fragmentadas".

Mesmo assim, Manningham-Buller fez parte do comitê que assinou um documento afirmando que o governo iraquiano de Saddam Hussein poderia ativar armas de destruição em massa em 45 minutos.

Perguntada sobre o documento, ela disse que se envolveu pouco com ele, mas, analisando-o agora, admitiu que ocorreu um "excesso de confiança" em algumas informações coletadas pelo serviço secreto.

Em documentos previamente secretos e publicados agora pelo inquérito, Manningham-Buller disse em carta a um integrante do alto escalão do governo que não havia evidência de envolvimento do Iraque nos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Na carta, ela disse que não havia informações sugerindo uma cooperação significativa entre Saddam e rede extremista Al-Qaeda.

A ex-chefe do MI5 disse ainda acreditar que agentes iraquianos não tinham capacidade de realizar ataques em solo britânico, embora pudessem recorrer a táticas terroristas para defender seu país.

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