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23/07/2010 - 16h32

Correa diz que vai convocar Unasul para mediar crise entre Caracas e Bogotá

Após a ruptura de relações entre Venezuela e Colômbia, o presidente equatoriano, Rafael Correa, presidente temporário da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) disse nesta sexta-feira que convocará "o mais rápido possível" uma reunião de chefes de Estado da organização para mediar a crise.

A medida é uma resposta ao pedido "urgente" do governo venezuelano de convocar a Unasul para denunciar o que classifica como "graves agressões" da Colômbia contra a Venezuela. Bogotá acusou o governo de Hugo Chávez de abrigar guerrilheiros em seu território.

"(A reunião será) o mais rápido possível e podemos, obviamente, neste espaço, atender à solicitação do presidente Chávez (...) e tentar ver como mediamos e resolvemos esse conflito lamentável", afirmou Correa.

Logo após anunciar a ruptura de relações, Chávez começou a articular com os presidentes sul-americanos a mediação do bloco. O presidente venezuelano conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que disse estar "preocupado" com a ruptura - e com outros líderes da região em busca de apoio.

Ao levar a mediação do conflito para o âmbito da Unasul, os presidentes da região tiram do jogo os Estados Unidos, membro da Organização dos Estados Americanos (OEA), e principal aliado da Colômbia no continente.

Em um comunicado enviado à Presidência da Unasul, a Venezuela afirma que, considerando a presença de "bases militares estrangeiras (com presença americana) em território colombiano, esta nova agressão configura o cenário para uma escalada perigosa".

Lula deverá afinar o papel da mediação da Unasul com Chávez no dia 6 de agosto, quando o presidente brasileiro fará uma visita oficial à Venezuela.

OEA O papel da OEA como mediadora de conflitos voltou a ser questionado por líderes da América do Sul. O presidente do Equador, Rafael Correa, responsabilizou o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por não ter evitado a crise entre Caracas e Bogotá.

Desde a semana passada, o governo equatoriano, que presidia o Conselho Permanente da OEA, vinha tentando adiar a convocação da reunião para realizar consultas com os demais países, por considerar as acusações da Colômbia um assunto "delicado".

"Nós ordenamos ao embaixador (na OEA, Francisco Proaño) que esperasse (antes de convocar a reunião) para realizar consultas", disse Correa. Proaño renunciou ao cargo na quarta-feira alegando ter sido pressionado por seu governo a adiar a reunião.

O presidente equatoriano disse que Insulza pressionou para que a reunião fosse realizada "sem consulta prévia, como diz o regulamento" da OEA.

"Tratam de um tema tão conflituoso, tão complexo, sem consulta prévia ao Conselho de Segurança, e agora vocês veem as consequências", afirmou Correa.

Insulza, por sua vez, afirma ter acatado o regulamento da OEA, que determinaria a necessidade de responder à solicitação de qualquer país membro.

Acampamentos Na reunião extraordinária da OEA, na quinta-feira, em Washington, o embaixador colombiano Luis Hoyos afirmou que há pelo menos 87 acampamentos guerrilheiros consolidados na Venezuela e cerca de 1,5 mil rebeldes. Hoyos mostrou fotografias e vídeos nas quais se veem guerrilheiros em um ambiente de floresta.

A Venezuela negou que seu país permita a presença de guerrilheiros em seu território e colocou em dúvida a veracidade das "provas".

O embaixador venezuelano na OEA, Roy Chaderton, admitiu, porém, que é impossível controlar a fronteira de mais de mais de 2 mil quilômetros e acusou a Colômbia de deixar sob responsabilidade exclusiva da Venezuela o controle fronteiriço.

Na porosa e extensa fronteira entre os dois países é comum a existência de conflitos entre grupos armados e militares venezuelanos. Em 2004, em um dos casos mais emblemáticos, seis militares e uma funcionária da estatal petroleira PDVSA foram assassinados por grupos guerrilheiros, quando navegavam em um rio em Apure, divisa com a Colômbia.

O ministro da Defesa venezuelano, general Carlos Mata Figueroa, afirmou que as Forças Armadas da Venezuela estão em "alerta máximo" e prontas para dar uma "resposta contundente" se forças militares estrangeiras invadissem o território venezuelano.

Na noite da quinta-feira, o Conselho de Defesa da Venezuela, máxima instância político-militar, apoiou a decisão de Chávez de romper relações com a Colômbia.

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