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24/07/2010 - 18h51

Uribe diz que ataque contra Farc no Equador foi 'necessário'

Em meio à crise com a Venezuela, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse neste sábado que a invasão militar no Equador para bombardear um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi "necessária".

Em março de 2008, Uribe autorizou a incursão militar no território do país vizinho para o bombardeio a um acampamento das Farc próximo à fronteira com a Colômbia. Na operação militar, foi morto Raúl Reyes, considerado como o chanceler da guerrilha, e outras 25 pessoas.

"Nós fizemos isso por estado de necessidade para enfrentar a um terrorista que assassinava a nossos compatriotas, nunca para defender a um povo irmão", afirmou Uribe, em um ato de governo.

"Não gostamos de fazer isso", afirmou.

Essa foi a primeira vez que Uribe comentou a relação com os vizinhos desde a ruptura de relações com a Venezuela, na quinta-feira.

O presidente colombiano disse que a operação militar no Equador permitiu ao Exército desmontar parte da estrutura que possibilitava a guerrilha manter sequestrada a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que foi resgatada em julho de 2008.

'Cooperação internacional' A invasão levou o governo do Equador a romper relações com a Colômbia, vínculo que até hoje não foi reestabelecido totalmente.

Uribe afirmou defender a cooperação internacional para evitar novas ações deste tipo.

"O ideal não é fazer essas operações, o ideal é a cooperação, de acordo com o direito internacional, para combater os terroristas", afirmou Uribe.

O teor das declarações é semelhante à troca de acusações entre Bogotá e Caracas, pivô da atual crise entre os dois países.

Na quinta-feira, em reunião extraordinária da Organização de Estados Americanos (OEA), o governo colombiano acusou a Venezuela de abrigar pelo menos 87 acampamentos guerrilheiros e 1,5 mil rebeldes em seu território.

O governo de Hugo Chávez nega as acusações da Colômbia e diz considera-las uma "desculpa" para justificar uma intervenção militar em seu território.

"Temos que recordar como eles (Estados Unidos) invadiram o Iraque com o conto das armas de destruição em massa", disse. "Toda essa armação, montada na Colômbia, de que há milhares de terroristas e de supostos acampamentos, é a desculpa perfeita para tentar uma invasão na Venezuela", afirmou Chávez, na noite da sexta-feira.

'Defesa do legado' Para a analista internacional colombiana, Laura Gil, mais do que uma ameaça velada, Uribe teria intenção, com estas declarações, de defender o seu polêmico legado na área de segurança, ao longo de seus oito anos de mandato.

"Uribe está muito preocupado, porque Juan Manuel Santos (presidente eleito) está fazendo aproximações políticas que põem em dúvida o seu legado", afirmou Gil.

"Ele sabe que provavelmente logo depois da posse, Santos vai querer conversar com Chávez".

A ruptura das relações diplomáticas já afeta o comércio na zona fronteiriça, em especial em Cucúta, na Colômbia. De acordo com a imprensa colombiana, os comerciantes da região exigem que Uribe declare emergência econômica para todo o departamento (estado) de Norte de Santander, para amenizar a crise econômica.

Em resposta, Uribe convocou a população " a esgotar a mercadoria de Cúcuta" para "salvar o emprego de nossos compatriotas na fronteira", afirmou.

'Conspiração' Neste sábado, em um ato em homenagem ao aniversário do líder da independência hispânica, Símon Bolívar, Chávez disse ter conhecimento de um suposto plano, coordenado entre os Estados Unidos e a Colômbia para derrubá-lo e assassiná-lo.

Chávez leu a suposta carta de um colaborador do governo nos Estados Unidos, que não foi identificado, que afirma que o plano contra ele estaria previsto para o dia 26 de setembro, dia das eleições legislativas na Venezuela, "mas por alguma razão (o plano) está sendo adiantado", disse Chávez.

A carta relaciona a atual crise com a Colômbia, o "pretexto" da luta contra o narcotráfico na região e o acordo que permitirá a presença de mais de 10 mil soldados dos Estados Unidos na Costa Rica, como parte do suposto plano para cercar o país.

"Não querem entrar em Caracas, não se atrevem, estão caçando o Maurício (nome de Chávez em comunicações privadas) fora de Caracas (...) ao mesmo tempo tentarão neutralizar as Forças Armadas", diz o documento citado por Chávez.

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