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25/07/2010 - 20h39

Chávez ameaça cortar envio de petróleo aos Estados Unidos

Em meio à crise com a Colômbia, o presidente da Venezuela Hugo Chávez disse neste domingo ter cancelado sua viagem a Cuba diante do que classificou de "possibilidades como nunca nos últimos anos" de uma agressão armada contra o seu país.

Caso o suposto ataque se concretize, ele ameaçou cortar o envio de petróleo aos Estados Unidos, considerado por ele, "o grande culpado".

"Avaliando informações de inteligência (...) a possibilidade de uma agressão armada contra território venezuelano, tem uma probabilidade como nunca teve nesses anos", afirmou Chávez, ao anunciar o cancelamento da viagem a Cuba, prevista para este domingo.

Em discurso para milhares de pessoas na capital venezuelana, Caracas, Chávez disse que o governo americano seria culpado, caso soldados colombianos viessem a invadir o seu país, afirmando que a Colômbia "há muito" perdeu a soberania sobre seu próprio território.

"Sou obrigado a falar ao povo a verdade, estamos ameaçados pelo império ianque (Estados Unidos) e desde agora digo, se houvesse alguma agressão armada contra a Venezuela a partir do território colombiano ou de qualquer lugar, impulsionada pelo império ianque, nós, ainda que tenhamos que comer pedras, suspenderíamos o envio de petróleo a Estados Unidos", afirmou Chávez, adotando o tom mais duro desde a ruptura de relações com a Colômbia.

"O petróleo, não nos faltará quem compre. E se não comprarem, o que importa? Aqui estamos dispostos a defender a dignidade de nossa pátria, custe o que custar", afirmou, ao ser ovacionado com gritos de "Chávez, amigo, o povo está contigo!" Guerrilhas na Venezuela Chávez disse que há muito tempo o conflito armado colombiano foi internacionalizado e passou também ao território da Venezuela e que "não é nada novo" que paramilitares e guerrilheiros entrem na Venezuela "matem, sequestrem e roubem".

"Paramilitares colombianos já chegaram até Caracas, mais de 200 paramilitares treinados para tomar o palácio de Miraflores e para me assassinar", afirmou Chávez, em referência à prisão de um grupo paramilitar em 2004, na capital do país. O presidente venezuelano disse que seu governo "rejeita" e que "não pode permitir isso", mas admitiu que seu país não está "isento" à penetração de grupos irregulares colombianos na porosa e extensa fronteira de mais de 2 mil km.

"Nós rejeitamos e rejeitaremos sempre, a possibilidade de que uma força guerrilheira estrangeira, paramilitar estrangeira ou militar estrangeira, se instale no menor milímetro quadrado de nosso território soberano, não podemos aceitar, nem aceitaremos", afirmou. Também em 2004, em um caso marcante, seis militares e uma funcionária da estatal petroleira PDVSA foram assassinados por grupos guerrilheiros, quando navegavam em um rio em Apure, na divisa com a Colômbia.

Manifestações Chávez aproveitou a crise com a Colômbia e a suposta ameaça dos Estados Unidos para pedir "unidade" aos seus simpatizantes, de olho nas eleições legislativas de setembro, pleito em que a oposição pretende recuperar espaços no Parlamento.

O governo também convocou duas grandes manifestações na fronteira com a Colômbia "em defesa da soberania venezuelana". A primeira no estado de Zulia foi liderada pelo vice-presidente Elias Jaua, que fez um apelo por paz e união entre colombianos e venezuelanos.

O outro protesto ocorreu na ponte internacional Simón Bolívar, em San Antonio, no estado de Táchira, na fronteira da Colômbia com a Venezuela, comandado pelo ministro de Relações Exteriores, Nicolás Maduro.

"Estamos prontos para trabalhar em função da união, para superar as diferenças com base no respeito, sem falsas acusações", discursou Maduro, diante de centenas de pessoas.

Pelo menos cinco milhões de pessoas que vivem nos estados fronteiriços estão sendo afetadas pela crise binacional, de acordo com a Câmara de Comércio colombo-venezuelana.

Em Bogotá, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, voltou a criticar a suposta presença de guerrilheiros nos países vizinhos.

"Não entendo porque, existindo tanta clareza no direito internacional, esses terroristas ainda não foram capturados", afirmou Uribe, em entrevista ao jornal El Tiempo.

"Me vou com a tristeza de que esses terroristas continuem com capacidade de fazer mal a partir do estrangeiro", acrescentou o presidente colombiano, que entrega o poder em 7 de agosto a seu herdeiro político Juan Manuel Santos.

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