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25/07/2010 - 16h28

Chávez cancela viagem a Cuba diante de 'alto risco de agressão armada'

Em meio à crise com a Colômbia, o presidente da Venezuela Hugo Chávez disse neste domingo ter cancelado sua viagem a Cuba diante do que classificou de "possibilidades como nunca nos últimos anos" de uma agressão armada contra o seu país.

Caso o suposto ataque se concretize, ele ameaçou cortar o envio de petróleo aos Estados Unidos, considerado por ele, "o grande culpado". "Avaliando informações de inteligência (...) a possibilidade de uma agressão armada contra território venezuelano, tem uma probabilidade como nunca teve nesses anos", afirmou Chávez, ao anunciar o cancelamento da viagem a Cuba, prevista para este domingo.

Em discurso para milhares de pessoas na capital venezuelana, Colômbia, Chávez disse que o governo americano seria culpado, caso soldados colombianos viessem a invadir o seu país, afirmando que a Colômbia "há muito" perdeu a soberania sobre seu próprio território.


"Sou obrigado a falar ao povo a verdade, estamos ameaçados pelo império ianque (Estados Unidos) e desde agora digo, se houvesse alguma agressão armada contra a Venezuela a partir do território colombiano ou de qualquer lugar, impulsionada pelo império ianque, nós, ainda que tenhamos que comer pedras, suspenderíamos o envio de petróleo a Estados Unidos", afirmou Chávez, adotando o tom mais duro desde a ruptura de relações com a Colômbia.

"O petróleo, não nos faltará quem compre. E se não comprarem, o que importa? Aqui estamos dispostos a defender a dignidade de nossa pátria, custe o que custar", afirmou, ao ser ovacionado com gritos de "Chávez, amigo, o povo está contigo!" Incursão no Equador No sábado, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou pela primeira vez que a invasão militar no Equador, em 2008, para bombardear um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi "necessária".

Em março de 2008, Uribe autorizou a incursão militar no território do país vizinho para o bombardeio a um acampamento das Farc próximo à fronteira com a Colômbia. Na operação militar, foi morto Raúl Reyes, considerado como o chanceler da guerrilha, e outras 25 pessoas.

"Nós fizemos isso por estado de necessidade para enfrentar a um terrorista que assassinava a nossos compatriotas, nunca para defender a um povo irmão", afirmou Uribe, em um ato de governo.

"Não gostamos de fazer isso", afirmou.

Essa foi a primeira vez que Uribe comentou a relação com os vizinhos desde a ruptura de relações com a Venezuela, na quinta-feira.

O presidente colombiano disse que a operação militar no Equador permitiu ao Exército desmontar parte da estrutura que possibilitava a guerrilha manter sequestrada a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que foi resgatada em julho de 2008.

'Cooperação internacional' A invasão levou o governo do Equador a romper relações com a Colômbia, vínculo que até hoje não foi reestabelecido totalmente.

Uribe afirmou defender a cooperação internacional para evitar novas ações deste tipo.

"O ideal não é fazer essas operações, o ideal é a cooperação, de acordo com o direito internacional, para combater os terroristas", afirmou Uribe.

O teor das declarações é semelhante à troca de acusações entre Bogotá e Caracas, pivô da atual crise entre os dois países.

Na quinta-feira, em reunião extraordinária da Organização de Estados Americanos (OEA), o governo colombiano acusou a Venezuela de abrigar pelo menos 87 acampamentos guerrilheiros e 1,5 mil rebeldes em seu território.

O governo de Hugo Chávez nega as acusações da Colômbia e diz considera-las uma "desculpa" para justificar uma intervenção militar em seu território.

"Temos que recordar como eles (Estados Unidos) invadiram o Iraque com o conto das armas de destruição em massa", disse. "Toda essa armação, montada na Colômbia, de que há milhares de terroristas e de supostos acampamentos, é a desculpa perfeita para tentar uma invasão na Venezuela", afirmou Chávez, na noite da sexta-feira.

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