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26/07/2010 - 17h32

EUA avaliam danos causado por vazamento de documentos secretos

O governo americano disse nesta segunda-feira que pode levar semanas até que seja possível determinar o estrago causado pelo vazamento de cerca de 91 mil documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão.

O que é o "WikiLeaks"?

WikiLeaks é um site que permite aos usuários postar documentos, fotos e/ou noticias governamentais ou empresariais, de matérias sensíveis sob anonimato. O Wikileaks alega que a informação colocada pelos usuários não é rastreável. Foi lançado em dezembro de 2006 e em meados de novembro de 2007 já continha 1,2 milhão de documentos.

Corrupção e assassinatos no Quênia, violações da convenção de Genebra na prisão norte-americana de Guantánamo, fotos de protestos no Tibete e listas de censura na internet em diversos países, como Austrália e Tailândia, são algumas informações vazadas pelo site.

Segundo um porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan, o processo de avaliação dos documentos vazados ainda está no início.

"Nós vimos apenas uma parte dos documentos", disse Lapan. "Até que vejamos todos eles, não podemos saber qual a extensão do estrago." "Vamos tentar determinar o potencial dano às vidas dos nossos membros e parceiros de coalizão. Se eles revelam fontes em métodos e qualquer dano à segurança nacional", afirmou o coronel.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que desde o fim da semana passada o presidente Barack Obama havia sido avisado de que informações secretas seriam divulgadas pela imprensa, e o vazamento vem sendo investigado desde então.

Documentos O vazamento é considerado um dos maiores na história americana.

Os documentos cobrem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009 e foram vazados pelo site Wikileaks e publicados na imprensa internacional - pelo diário americano The New York Times, o britânico The Guardian e a revista alemã Der Spiegel.

Segundo Lapan, até o momento o Pentágono está se concentrando nas informações tornadas públicas, e não na fonte do vazamento, mas que diversos funcionários militares e civis do Departamento de Defesa têm acesso aos documentos vazados.

O coronel disse que a maior parte dos documentos revisados até o momento são secretos, mas não "top secret", classificação reservada a informações mais sensíveis.

Os documentos vazados trazem informações sobre mortes de civis causadas por forças americanas e acusações de que serviços de inteligência do Paquistão teriam apoiado militantes do grupo extremista Talebã no Afeganistão - alegação negada pelo governo paquistanês.

Infração Segundo a Casa Branca, o vazamento é uma infração da lei federal e pode prejudicar as forças americanas.

"Além de ser contra a lei, (o vazamento) tem o potencial de ser muito prejudicial àqueles que integram nossas Forças Armadas, àqueles que cooperam com nossos militares e aqueles que estão trabalhando para nos manter seguros", disse Gibbs, em entrevista coletiva.

O porta-voz da Casa Branca disse ainda que as informações contidas nos documentos - que são anteriores à nova estratégia de Obama para o Afeganistão, com aumento de recursos e tropas - já haviam sido discutidas publicamente.

"Baseado no que vimos, eu não acho que o que está sendo divulgado não tenha sido discutido publicamente de várias maneiras, seja por vocês (jornalistas) ou por membros do governo", afirmou.

"Nós certamente já sabíamos sobre refúgios (do Talebã) no Paquistão. Nós temos nos preocupado com mortes de civis (no Afeganistão) há um bom tempo. E em ambos os aspectos, nós já tomamos providências para melhorar", disse Gibbs.

No entanto, segundo Gibbs, mesmo sem fazer novas revelações, o vazamento pode ser prejudicial à medida que divulga nomes, fontes, operações e logística.

"Se alguém está cooperando com o governo federal e seu nome é listado e um relatório, eu não acho que seja um exagero acreditar que isso pode colocar um grupo ou um indivíduo em grande risco pessoal", afirmou.

 

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