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26/07/2010 - 16h55

Irã diz que aceita retomar negociações nucleares sem impor condições

O governo do Irã anunciou nesta segunda-feira sua disposição em reiniciar as negociações para aprovação de um programa de troca de urânio com baixos níveis de enriquecimento pelo material enriquecido para a utilização em fins civis.

A declaração foi feita em carta entregue à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, vinculada à ONU) nesta segunda-feira - mesma data em que a União Europeia e o Canadá anunciaram um novo pacote de sanções contra o país.

"O Irã está completamente pronto para negociar, sem pré-condições, a utilização de combustível para o reator (nuclear) de Teerã", afirmou o enviado iraniano à AIEA, Ali Asghar Soltanieh, segundo a agência de notícias iraniana Irna.

O conteúdo integral do documento apresentado pelo Irã, no entanto, ainda não foi divulgado.

As novas negociações devem ter como base o acordo proposto pelos governos brasileiro e turco, que previa que o Irã enviasse 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido à Turquia para, em troca, receber urânio altamente enriquecido.

O combustível teria como destino um reator nuclear supostamente utilizado para pesquisas médicas em Teerã.

A proposta do Brasil e da Turquia - apresentada em meados do mês de maio - recebeu ressalvas do grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha, o chamado P5 + 1.

Esses países alegam que faltam garantias de que, com o acerto, o Irã não terá condições de produzir uma bomba atômica.

Sanções Nesta segunda-feira, a União Europeia e o Canadá anunciaram novas medidas contra o Irã.

As companhias europeias serão proibidas de vender ao Irã equipamentos para a produção e refinamento de petróleo e gás, de investir em projetos nesse setor e de prestar assistência técnica e transferir tecnologia à indústria petrolífera iraniana.

Além disso, a companhia marítima iraniana, Irisil, fica proibida de operar em águas europeias e os aviões de carga de bandeira iraniana não poderão aterrissar nos aeroportos europeus.

A UE também proibirá a exportação ao Irã de produtos de possível uso civil-militar e de produtos que podem ser usados para a produção de armas químicas ou biológicas, com exceção dos que são necessários para tratamentos médicos.

As restrições incluem ainda o setor bancário: qualquer transferência ao Irã de valores entre 10 mil e 40 mil euros procedente de um país europeu deverá ser notificada às autoridades nacionais. As de valores superiores a 40 mil euros deverão ser previamente autorizadas.

Além disso, as companhias de seguro e instituições financeiras iranianas ficam proibidas de operar em território europeu. Foi também ampliada a lista de membros do governo, da Guarda Revolucionária e de empresários do país cujos bens e contas bancárias na Europa serão congelados.

Assim como as sanções europeias, as novas medidas anunciadas pelo Canadá também têm como alvo os setores bancários e de energia do Irã.

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