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26/07/2010 - 16h09

Paquistão nega dossiê que aponta apoio ao Talebã

O governo do Paquistão rejeitou nesta segunda-feira informações contidas em documentos secretos do governo americano vazados para a imprensa internacional que afirmam que agências de inteligência paquistanesas teriam colaborado com militantes do Talebã no Afeganistão.

Os documentos, que também trariam informações não divulgadas anteriormente sobre operações americanas na região, contêm alegações de que a inteligência paquistanesa e o Irã teriam ajudado o Talebã a planeja ataques contra alvos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), das Nações Unidas e da Índia.

Em entrevista à BBC, a porta-voz da Presidência do Paquistão, Farahnaz Ispahani, rejeitou as acusações e afirmou que o vazamento dos documentos faria parte de uma tentativa de "sabotar" as relações entre o país e os Estados Unidos.

"Infelizmente, estes documentos, que não foram verificados ou checados, foram liberados sem nenhuma contextualização ou informação por parte do governo dos Estados Unidos, eles foram vazados diretamente para a imprensa, sem nenhum tipo de filtro", disse Ispahani.

"Nós, no Paquistão, nos sentimos extremamente desconfortáveis e pensamos que esta é uma tentativa de sabotar a nova e positiva direção que o diálogo estratégico entre Paquistão e Estados Unidos está tomando", disse a porta-voz, que afirma que o momento em que os documentos foram divulgados reforça estas suspeitas.

Inteligência Um dos documentos vazados pelo site Wikileaks se refere a um suposto encontro que teria ocorrido em dezembro de 2006 entre insurgentes do Talebã e o ex-chefe dos serviços de inteligência do Paquistão Hamid Gul durante o qual três homens teriam sido enviados a Cabul para promover ataques.

Em entrevista à BBC, Gul classificou o material vazado como "pura ficção que foi vendida como (informação de) inteligência".

"Isto não é inteligência", disse Gul, que dirigiu a agência de inteligência paquistanesa entre 1987 e 1989.

"Deve haver um ângulo financeiro nisso, mas acima de tudo, não é inteligência. Sou um veterano. Eu sei", disse.

Vazamento O vazamento dos cerca de 90 mil documentos também foi condenado pelo governo dos Estados Unidos, que o classificou como irresponsável e afirmou que publicação dos dados poderia ameaçar a segurança nacional americana.

Uma nota do conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, diz que a divulgação de informações sigilosas "pode pôr em risco as vidas de americanos e nossos parceiros, e ameaçar a segurança nacional".

Ele acrescentou que os documentos cobrem o período anterior ao anúncio do presidente Barack Obama de "uma nova estratégia com um aumento substancial dos recursos para o Afeganistão".

Entre outras informações, o dossiê traz dados sobre supostas mortes de civis no Afeganistão que não haviam sido divulgadas até agora.

Para o fundador do site Wikileaks, Julian Assange, não há motivos para se duvidar da veracidade das informações contidas na documentação.

'Chocados' Após a divulgação dos documentos, Waheed Omar, porta-voz do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou que o governo do país está "chocado" com o vazamento, mas disse que as informações contidas não são novas.

"Nós ficamos chocados pelo fato de que um grande número de documentos foram vazados. Mas, até agora, a substância desses documentos vazados, segundo a reação imediata de nosso presidente, não é nova. Grande parte disso é o que já foi discutido no passado", disse.

Pouco depois, o gabinete de Karzai divulgou um comunicado onde afirma que os documentos "claramente dão apoio à posição de sempre do Afeganistão de que o sucesso contra o terrorismo não vem da luta nos vilarejos afegãos, mas sim da luta contra seus esconderijos e fontes ideológicas e financeiras além de nossas fronteiras".

Para o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, o vazamento dos documentos não deve prejudicar os esforços das forças internacionais no Afeganistão.

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