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27/07/2010 - 20h54

Cinco meses após tremor, desabrigados geram tensão no Chile

Cinco meses depois do tremor de terra que atingiu 8,8 graus de magnitude e causou a morte confirmada de 500 pessoas, o Chile ainda tem cerca de 200 mil pessoas vivendo em habitações improvisadas.

As casas são construídas com tábuas ásperas, tetos de zinco e, em seus interiores, espuma para tentar isolar os moradores do frio. Além disso, as casas improvisadas também contam com as poucas coisas que os moradores conseguiram salvar do terremoto, como televisores, objetos pessoais e roupas.

No sul do país, onde o terremoto teve seu epicentro, os sinais mais visíveis da tragédia talvez sejam as cerca de 80 vilas destes abrigos de emergência: um punhado de casas de madeira frágeis, envoltas apenas com plásticos brancos, que formam manchas na paisagem verde.

Segundo cálculos oficiais, cerca de 1,3 mil famílias que perderam suas casas acabaram nestas vilas, em assentamentos criadas pelo governo chileno como resposta temporária ao problema dos sem-teto.

Tudo indica que estas casas, que alguns moradores até já começaram a melhorar, poderão ficar de pé por muito tempo. E o crescimento destas vilas já geram alertas de alguns setores do país: os acampamentos mostram os atritos gerados por uma convivência forçada e que poderão se transformar em focos de tensão social.

'Pioneiros' A aldeia de Puertas Verdes, perto da cidade de Constitución, tem ruas de terra, abertas em um terreno de quatro hectares doados pela empresa florestal Celco. Conta com 170 abrigos de emergência onde vivem cerca de 700 vítimas da região de Maule, uma das mais afetadas pelo terremoto.

Os "pioneiros" chegaram há cerca de quatro meses e afirmam que a situação no local melhorou.

A ajuda do governo do presidente Sebastián Piñera e particulares chegaram ao local, desde banheiros com chuveiros, até transformadores.

Mas os riscos para os moradores continuam e aumentam com o passar dos meses. Além das noites geladas de inverno, outro risco ameaça a segurança dos moradores, o fogo.

"Para se esquentar e cozinhar ( usamos) pura lenha. Onde vamos arrumar dinheiro para comprar gás?", questiona Ida Retamar, moradora da vila enquanto busca madeira seca entre restos de construção.

Com fogões a lenha, muitas crianças sofrem com a intoxicação pela fumaça e o risco de um incêndio se espalhar pelas casas em questão de minutos aumenta.

Família e vizinhos Nem todos os que perderam suas casas vivem nestas vilas de barracos. Alguns tiveram mais sorte e foram se abrigar em casas de familiares ou vizinhos.

Mas, apesar de os números de famílias desabrigadas variarem (cerca de 1,3 mil para as autoridades, até 2 mil para organizações civis), todos concordam que as aldeias cresceram mais do que os especialistas aconselhavam.

De acordo com Benito Baranda, diretor da organização de caridade Casa de Cristo, uma das organizações envolvidas com a reconstrução, as vilas foram planejadas para acolher entre 40 e 50 famílias, mas atualmente abrigam 200 famílias.

E, de acordo com Baranda, isto torna a convivência "muito complicada".

"Esta aglomeração gera muita angústia, aumenta a violência dentro de casa e os conflitos com os vizinhos", afirmou.

Em Constituición, por exemplo, existem, de acordo com os moradores, dois acampamentos, o Puertas Verdes 1 e Puertas Verdes 2, onde vivem os "veteranos" e "os novos" moradores.

E muitos moradores alegam que no acampamento 2, quase nenhuma doação particular chega, pois os moradores do acampamento 1 tem mais contatos e não dividem o que recebem.

As vilas então têm registrado o aumento de roubos e, há um mês, o tema da insegurança já é tratado como um novo problema entre os moradores.

Intervenção Apesar de terem sido criados em caráter temporário, muitos destes assentamentos provavelmente ainda estarão de pé pelo menos até 2011 ou mais. Nenhuma autoridade procurada pela BBC deu prazo para o fim destes acampamentos.

"Não quero dar datas, mas em todos os lugares onde ocorreu alguma catástrofe, a reconstrução demorou anos", afirmou a ministra da Habitação, Magdalena Matte.

Os moradores fazem seus próprios cálculos e afirmam que o problema de moradia poderá ser resolvido entre 18 meses e dois anos.

Os analistas também afirmam que é pouco provável que o governo resolva antes deste prazo os danos que o terremoto causou a quase 400 mil residências (metade delas inabitáveis) e um custo estimado de US$ 2,5 bilhões, segundo dados oficiais.

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