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30/07/2010 - 09h21

Líderes saudita e sírio chegam ao Líbano para conter tensão política

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, e o rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdel Aziz, chegam nesta sexta-feira ao Líbano para tentar ajudar a resolver a mais nova crise política do país.

As tensões no Líbano aumentaram depois do vazamento de informações de que um tribunal internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) indiciaria membros do Hezbollah pelo assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, em um atentado à bomba em 2005.

A Síria, aliada do grupo xiita Hezbollah, e a Arábia Saudita, que apóia o partido político do atual premiê sunita Saad Hariri, são os dois maiores mediadores no Líbano.

Na quinta-feira, ambos os líderes prometeram trabalhar juntos para ajudar a estabilizar o Líbano.

Os dois temem que o resultado das investigações do tribunal da ONU elevaria as tensões sectárias entre sunitas e xiitas no país.

Assad e o rei Abdullah se reúnem com o presidente libanês, Michel Suleiman, o premiê Saad Hariri e outras lideranças políticas do Líbano.

Esta será a primeira visita de Assad desde 2005, quando a Síria retirou suas tropas do Líbano devido a forte pressão internacional, encerrando 29 anos de ocupação militar no país.

Crise Na semana passada, em discurso televisionado para o país, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, admitiu que membros de seu grupo poderiam ser indiciados em setembro pelo tribunal.

No entanto, ele negou envolvimento do grupo na morte de Hariri e acusou o tribunal da ONU de trabalhar em prol de Israel, fomentando uma luta sectária entre sunitas e xiitas no Líbano.

Segundo Nasrallah, o tribunal estaria atuando de forma politizada e sob forte influência dos Estados Unidos e do governo israelense.

Nasrallah também declarou que o Hezbollah não entregará militantes seus que venham a ser acusados de participação no atentado contra Hariri.

Ele também acusou alguns líderes libaneses de 'cometerem erros' no passado ao se precipitarem em acusar Damasco de envolvimento na morte de Hariri, o que foi sempre negado pelo governo sírio.

As declarações do líder xiita receberam o apoio de aliados do Hezbollah.

Mas opositores do grupo viram o discurso de Nasrallah como uma provocação e uma prova de que o Hezbollah entraria em confronto armado caso fosse acuado.

Em maio de 2008, depois que o governo tentou fechar a rede de comunicações ilegais do grupo, o Hezbollah e seus aliados foram às ruas em confrontos armados contra militantes de Saad Hariri na capital, Beirute.

Um acordo sob o intermédio do Catar, e apoio sírio e saudita, levou os líderes das facções rivais à formação de um governo de coalizão, encerrando os confrontos.

Pessimismo Em novembro do ano passado, os líderes saudita e sírio também foram cruciais para intermediar a formação de um governo de união nacional no Líbano, encerrando cinco meses de estagnação política.

Mas, analistas ouvidos pela BBC Brasil se dizem pessimistas em relação aos resultados práticos do encontro trilateral entre Líbano, Arábia Saudita e Síria.

Para eles, apesar do objetivo maior da reunião ser o de acalmar as tensões no país, ela dificilmente resolverá as divergências fundamentais entre as facções políticas libanesas em torno do tribunal internacional da ONU.

"Haverá um entendimento comum de conter a situação, pois há um interesse muito forte em manter as coisas calmas no Líbano. O resto é uma incógnita, não vejo uma solução em relação às diferenças em torno do tribunal e sua atuação", disse Oussama Safa, diretor do Centro Libanês para Estudos Políticos.

Para ele, os dois líderes vão reforçar a necessidade de renovação dos acordos assinados em Doha, no Catar, de comprometimento em torno de um governo de união nacional.

Acordo difícil Para Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio, em Beirute, as incertezas atuais impedirão um novo acordo de Doha.

"Estamos em uma fase pré-Doha, em um período de início de tensão crescente, onde temos duas posições que se opõem em relação ao tribunal da ONU", enfatizou Salem.

No entanto, o analista salientou que, apesar das desconfianças mútuas, membros do Hezbollah e do Movimento Futuro, de Saad Hariri, continuam a trabalhar juntos no mesmo governo.

"Mas a possibilidade de que membros do Hezbollah estejam implicados na morte de Rafik Hariri é o pior medo dos políticos do partido de Saad e seus aliados", explicou ele.

A falta de resultados práticos é também a preocupação de Hilal Khashan, professor de Ciência Política da Universidade Americana de Beirute.

Para ele, o fator principal, a divisão profunda entre as facções em torno do tribunal da ONU, persistirá.

"O rei Abdullah e o presidente Assad não conseguirão reconciliar a posição do Hezbollah e a posição do Movimento Futuro no assunto. Simplesmente, temos uma divisão de princípios", salientou o professor.

Para Khashan, a questão estará com o Hezbollah, se quer ou não manter a paz no Líbano.

"A bola está no campo do Hezbollah. Será o Hezbollah que decidirá o próximo passo no Líbano".

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