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30/07/2010 - 18h02

Síria e Arábia Saudita pedem a Líbano que rejeite violência

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, e o rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdel Aziz, pediram nesta sexta-feira em Beirute que as facções rivais do Líbano rejeitem o uso de violência e coloquem os interesses libaneses em primeiro lugar em meio a um aumento na tensão política no país.

Os dois líderes se reuniram na capital libanesa com o presidente do país, Michel Suleiman, o premiê, Saad Hariri, e o presidente do parlamento, Nabih Berri.

Eles pediram aos libaneses que resolvam suas diferenças por meio das "instituições legais" e do "governo de união nacional".

"Os líderes enfatizaram a importância da estabilidade... o comprometimento (dos libaneses) de não se valer de violência e a necessidade de colocar os interesses do país acima dos interesses sectários", disse a nota emitida pela Presidência libanesa após as conversas entre Suleiman, Assad e o rei Abdullah.

As tensões no Líbano aumentaram depois do vazamento de informações de que um tribunal internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) indiciaria membros do Hezbollah pelo assassinato do ex-premiê Rafik Hariri em um atentado à bomba em 2005.

A Síria, aliada do grupo xiita Hezbollah, e a Arábia Saudita, que apoia o partido político do atual premiê sunita Saad Hariri, são os dois maiores mediadores no Líbano.

Crise Reunidos na quinta-feira na capital síria Damasco, o rei Abdullah e o presidente Assad prometeram trabalhar juntos para ajudar a estabilizar o Líbano.

Os dois países temem que o resultado das investigações do tribunal da ONU aumente as tensões sectárias e culmine com um conflito armado entre sunitas e xiitas no Líbano.

Esta foi a primeira visita de Assad desde 2005, quando a Síria retirou suas tropas do Líbano devido a forte pressão internacional, encerrando 29 anos de ocupação militar no país.

Na semana passada, em discurso televisionado no Líbano, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, admitiu que membros de seu grupo poderiam ser indiciados em setembro pelo tribunal.

No entanto, ele negou envolvimento do grupo na morte de Hariri e acusou o tribunal da ONU de trabalhar em prol de Israel, fomentando uma luta sectária entre sunitas e xiitas no Líbano.

Nasrallah também declarou que o Hezbollah não entregará militantes seus que venham a ser acusados de participação no atentado contra Hariri.

Opositores do grupo viram o discurso como uma provocação e uma prova de que o Hezbollah entraria em confronto armado caso fosse acuado.

Em maio de 2008, depois que o governo tentou fechar a rede de comunicações ilegais do grupo, o Hezbollah e seus aliados foram às ruas em confrontos armados contra militantes partidários de Saad Hariri em Beirute.

Um acordo sob o intermédio do Catar, e apoio sírio e saudita, levou os líderes das facções rivais à formação de um governo de coalizão, encerrando os confrontos.

Pessimismo Em novembro do ano passado, os líderes saudita e sírio também foram cruciais para intermediar a formação de um governo de união nacional no Líbano, encerrando cinco meses de estagnação política.

Mas analistas ouvidos pela BBC Brasil se dizem pessimistas em relação aos resultados práticos do encontro trilateral entre Líbano, Arábia Saudita e Síria, nesta sexta-feira.

Para eles, apesar de o objetivo maior da reunião ser o de acalmar as tensões no país, ela dificilmente resolverá as divergências fundamentais entre as facções políticas libanesas em torno do tribunal internacional da ONU.

"Haverá um entendimento comum de conter a situação, pois há um interesse muito forte em manter as coisas calmas no Líbano. O resto é uma incógnita, não vejo uma solução em relação às diferenças em torno do tribunal e sua atuação", disse Oussama Safa, diretor do Centro Libanês para Estudos Políticos.

Para Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio, em Beirute, as incertezas atuais impedirão um novo acordo como o assinado em 2008 em Doha, no Catar, de comprometimento em torno de um governo de união nacional.

A falta de resultados práticos é também a preocupação de Hilal Khashan, professor de Ciência Política da Universidade Americana de Beirute.

Para ele, o fator principal, a divisão profunda entre as facções em torno do tribunal da ONU, persistirá.

"O rei Abdullah e o presidente Assad não conseguirão reconciliar a posição do Hezbollah e a posição do Movimento Futuro no assunto. Simplesmente, temos uma divisão de princípios", salientou o professor.

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