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02/08/2010 - 07h19

Após chuvas, Paquistão teme epidemias de diarreia e cólera

Cerca de 27 mil pessoas ainda estão isoladas no Paquistão em consequência das piores enchentes no país em oito décadas, segundo as autoridades locais.

Pelo menos 1,1 mil pessoas morreram e, com comunidades inteiras devastadas, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas precisam de ajuda urgente.

Grande parte do noroeste do país está praticamente submersa após as inundações causadas pelas chamadas chuvas de monções, que levaram diversos rios no país e no vizinho Afeganistão a transbordar.

Há temores de epidemias de diarreia e cólera entre os desabrigados pelas chuvas. O suprimento de comida e de água também é precário.

A ONU, a China e os Estados Unidos já ofereceram ajuda para os esforços de resgate.

As Forças Armadas do Paquistão foram mobilizadas para o resgate, mas alguns sobreviventes dizem que a resposta do governo tem sido lenta e inadequada.

Mais chuva Em alguns locais, as águas baixaram nesta segunda-feira com a melhoria das condições meteorológicas, mas há a previsão de mais chuva ao longo da semana.

Parte da principal ligação rodoviária para a região afetada foi reaberta no domingo, mas depois fechada novamente.

A breve reabertura permitiu o envio de alguns suprimentos para a região inundada, além da retirada de pessoas afetadas.

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Aleem Maqbool, as autoridades paquistanesas temem que a situação possa ser muito pior do que o estimado.

O ministro da Informação da região de Khyber-Pakhtoonkhwa (anteriormente chamada de Província da Fronteira Noroeste), uma das áreas mais atingidas pelas cheias, disse que 1,5 milhão de pessoas foram afetadas pelas enchentes e por deslizamentos de terra.

O departamento de defesa civil da província havia dito anteriormente que uma vistoria aérea mostrou que dezenas de vilarejos foram simplesmente devastados.

Segundo o ministro Mian Iftikhar Hussain, as equipes de resgate estão tentando chegar a 27 mil pessoas isoladas pelas cheias na província, incluindo 1,5 mil turistas no distrito de Swat.

"Também temos confirmação de alguns relatos sobre uma epidemia de cólera em algumas áreas de Swat", afirmou.

Protesto A resposta do governo ao desastre motivou um protesto de centenas de pessoas na cidade de Peshawar, no noroeste do país, onde desabrigados foram instalados em abrigos provisórios.

Shariyar Khan Bangash, diretor regional da organização internacional humanitária World Vision, baseada em Peshawar, disse que os sobreviventes das áreas mais afetadas estão implorando pelo envio de água potável.

"Essas pessoas estão dizendo: 'Não precisamos de comida agora, precisamos de água'. Todos os poços usados por eles estão cheios de lama e não podem ser usados", disse ele à BBC.

"Já há casos de diarreia entre as crianças e também de cólera. Este é o maior risco neste momento. A falta de alimentos já existia antes", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse estar "profundamente entristecido pela perda significativa de vidas, das condições de vida e de infraestrutura no Paquistão".

Ele afirmou que a ONU contribuirá com os esforços humanitários para ajudar os afetados pelas enchentes e ofereceu mais US$ 10 milhões (cerca de R$ 17,6 milhões) para financiar os esforços de regaste.

No domingo, os Estados Unidos também haviam prometido US$ 10 milhões em ajuda e anunciado o envio de cerca de 50 mil refeições, quatro barcos de resgate e duas unidades para filtragem de água.

A Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad disse ainda que o país montará 12 pontes temporárias para substituir algumas destruídas pelas enchentes.

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