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05/08/2010 - 07h15

Cidade italiana 'volta' aos anos 50 para festival

Todo ano, durante uma semana, a cidade de Senigallia, na costa italiana do mar Adriático, volta aos anos dourados: moradores e cerca de 200 mil visitantes (cinco vezes o número de habitantes) passeiam pelas calçadas vestidos com roupas usadas nas décadas de 1940 e 1950.

Um turista desavisado pode pensar que entrou sem querer num set cinematográfico, mas trata-se do Summer Jamboree Festival, que neste ano chega à 11ª edição atraindo fãs de todas as partes do mundo, entre eles ingleses, japoneses e até brasileiros.

Por todos os lados surgem personagens inspirados em James Dean, Marilyn Monroe e Marlon Brando em início de carreira. Carros e motos de época, com licenças especiais, estacionam livremente pelas ruas e viram atração.

"Não saberia dizer quantos vivem assim, sempre. Cinco mil? Dez mil?! Eu vivo o ano inteiro como naqueles anos e tenho certeza que em diferentes partes do planeta tantas pessoas cultivam este estilo de vida, muito mais saudável", diz Angelo di Liberto, o organizador do festival.

A trilha sonora do Summer Jamboree Festival inclui Elvis Presley, Johnny Cash e The Platters, entre outros, e é tocada por alto-falantes nos postes da cidade, nos bares, restaurantes e lojas, e por DJs espalhados pela orla.

Uma praia de águas calmas e uma antiga fortaleza servem como pano de fundo para as cenas da juventude de quem hoje se aproxima dos 80 anos de idade.

'Nostalgia' Netos e filhos desta geração incorporam gestos, atitudes e passos de dança, tudo sob o olhar nostálgico dos mais idosos.

Eles bailam pelas praças da cidade ou na areia, em românticos e animados luaus, com música ao vivo, e assistem a sensuais espetáculos de arte burlesca.

Nas décadas de 1940 e 1950, a Europa renascia sob a influência dos Estados Unidos. A reconstrução do pós-guerra parecia não ter fim, e o Velho Continente, depois de anos de sofrimento, tinha "fome" de diversão.

Os filmes de Hollywood exportavam modelos de comportamento imitados pela juventude da época, admirados e copiados de tempos em tempos até hoje.

"Basta lembrar que o termo adolescente foi cunhado naquele período. Antes ele nem existia", explica Angelo para a BBC Brasil.

Juventude Transviada e Um Bonde Chamado Desejo são alguns dos filmes que marcaram uma inteira geração e trouxeram à tona os dilemas e os ritos de passagem do mundo jovem para aquele adulto.

Moda, estilo, design Nas ruas de Senigallia, esse salto acontece abrindo os guarda-roupas dos avós e passando brilhantina nos cabelos.

Os homens de topete vestem-se com camisetas brancas, jardineiras ou calça jeans com a bainha dobrada pelo avesso. Os sapatos bicolores, preto e branco, de preferência.

As mocinhas caminham em duplas, com vestidos vermelhos ou pretos com bolinhas brancas, laços de fita ou flores nos cabelos, maquiagem no rosto, sandálias de salto, cintura marcada, saias esvoaçantes abaixo dos joelhos.

Os muros da fortaleza medieval servem de parede para o mercado de roupas e objetos "vintage". Fotografias de artistas, cinzeiros, discos de vinil, bombas de gasolina antigas, cópias de cartazes enchem as prateleiras das barraquinhas. Eles são testemunhas dos primórdios do consumo e da cultura de massa.

Isso sem falar dos barbeiros, cabelereiros e tatuadores de plantão. Quem chega do terceiro milênio pode sair "vestido" de anos 50.

"Aqui chegam jovens com cortes modernos e pedem para mudar o visual para entrar no clima. Um topete com brilhantina transforma a pessoa por dentro e por fora. Base raspada com cabelos caídos em cima, para o estilo anos 1940 e topete no caso dos anos 1950", disse à BBC Brasil o barbeiro Lorenzo.

Dança Mesmo sem intimidade com o passado não é difícil acertar o passo. Bailarinos profissionais ensinam, gratuitamente, como se dança o swing, o rock, o hula hoop e outros ritmos da época. Tudo para não fazer feio nos cerca de cem shows ao ar livre.

Previstos na programação estão apresentações de Chuck Berry, 83 anos, e do guitarrista James Burton, remanescente do grupo de Elvis Presley que, se fosse vivo, completaria 75 anos.

O cardápio musical conta ainda com os brasileiros Alex Valenzzi and the Hide-A-Way Cats, de São Paulo. O grupo é um dos principais representantes do movimento rockabilly no Brasil.

"Eu tive muita influência do meu pai, mas quando Elvis Presley morreu eu tinha apenas 7 anos e isto marcou a minha vida. Eu ficava ali, escutando as músicas dele, que são eternas", afirmou Alex Valenzi, vocalista e pianista, para a BBC Brasil.

"Esta é uma música eterna, apenas damos continuidade a ela, as pessoas se identificam", diz o contrabaixista, Big Leal.

"Acho que as pessoas gostam dos valores daquela época, diversão com respeito e simplicidade", diz o guitarrista Rodrigo Gonçalves, o caçula da banda, com 29 anos.

Durante uma hora e meia de show, eles tocam 20 canções, todas em inglês, à exceção de uma, em português. Na frente do palco, os casais dançam como se estivessem participando de um concurso.

Na platéia, em pé, à sombra das torres medievais, crianças ensaiam os primeiros requebrados e adultos e jovens mais tímidos admiram as performances. Enquanto isso os idosos, com olhares compridos, revivem os anos dourados em Senigallia.

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