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07/08/2010 - 01h16

Advogado afirma que Uribe denunciou Chávez no Tribunal Penal Internacional

Poucas horas antes de deixar o cargo, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, teria dado entrada em um processo contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Tribunal Penal Internacional por supostos "delitos de guerra e lesa humanidade" e em uma ação contra o Estado venezuelano perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A medida foi anunciada pelo advogado de Uribe, Jaime Granados, em entrevista ao canal colombiano RCN e vem à tona em um momento em que os países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) enviam sinais de distensão na crise diplomática entre Caracas e Bogotá.

De acordo com a imprensa colombiana, a Venezuela é acusada na CIDH por supostamente "proteger terroristas" em seu território, em referência às alegações de que a Venezuela abriga ao menos 1,5 mil guerrilheiros no país. O governo venezuelano nega as acusações.

"Realmente, enviei (a denúncia) hoje à sede de Haia do Tribunal Penal Internacional, ao despacho do promotor-geral dessa instituição, Luis Moreno-Ocampo, e esperamos que tome ação", afirmou Granados ao canal colombiano.

O advogado disse ainda que as supostas provas contra a Venezuela seriam apresentadas "em seu momento".

Distensão
Apesar das acusações, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, deve comparecer à cerimônia de posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

De acordo com fontes diplomáticas venezuelanas, o governo Chávez está apenas esperando a saída de Uribe para tentar restabelecer um canal de diálogo com a Colômbia.

A iniciativa de Chávez de enviar seu chanceler a Bogotá, em meio a uma das piores crises diplomáticas entre os vizinhos, foi vista como "um passo importante" pelo governo brasileiro.

A decisão foi anunciada durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Caracas, na tarde da sexta-feira.

Golpe às Farc
Em uma cerimônia de despedida das Forças Armadas, nesta sexta-feira, Uribe indicou que o Exército colombiano está a ponto de dar um novo golpe à estrutura das guerrilhas, ao declarar que "em poucas horas" virão "boas notícias para que esta pátria derrote o sequestro, a criminalidade e o terrorismo".

Uribe entregará a Presidência a Santos neste sábado, após oito anos de governo. Principal aliado dos Estados Unidos na região, o presidente colombiano foi responsável pelo enfraquecimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e por resgates de reféns que estavam em poder da guerrilha.

Apesar da pressão de organizações sociais e de partidos opositores, Uribe e seu sucessor Juan Manuel Santos apostam na saída militar para o conflito armado que já dura mais de seis décadas.

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