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07/08/2010 - 20h30

Santos quer normalizar relações da Colômbia e dispensa mediações

O colombiano Juan Manuel Santos assumiu a Presidência da Colômbia neste sábado dizendo que uma das suas prioridades à frente do governo será restabelecer relações com a Venezuela e com o Equador e disse esperar que o fim da crise diplomática com os dois países seja alcançado "o mais rápido possível".

"Um dos meus propósitos será restabelecer relações com a Venezuela e Equador e recuperar a confiança", afirmou Santos, em discurso na cerimônia de posse, pouco depois de receber a faixa presidencial de Álvaro Uribe.

Santos agradeceu a mediação dos países da região, como o Brasil, mas disse preferir tratar a controvérsia diretamente com os países vizinhos.

"Agradeço a mediação na situação com a Venezuela (...), mas prefiro o diálogo franco e direto e tomara que seja o mais breve possível", afirmou.

"Um diálogo de respeito mútuo, de cooperação recíproca", acrescentou.

Diferenças ideológicas O novo presidente colombiano disse não ver inimigos externos e que a palavra guerra não está em seu dicionário quando pensa na relação com os vizinhos.

"Quem diga que quer a guerra, se nota que nunca teve a responsabilidade de enviar soldados a uma (guerra) de verdade", disse Santos, que já foi ministro de Defesa e esteve à frente de uma operação militar no Equador.

"As boas relações beneficia a todos. Quando os governos disputam, são os povos que sofrem", disse.

O discurso de Santos foi acompanhado por mais de cem delegações, em uma cerimônia realizada a céu aberto, na praça de Bolívar, centro de Bogotá.

Santos chamou à unidade latino-americana e ao trabalho conjunto na região, "apesar das diferenças ideológicas" entre os governos.

O clima de distensão entre Venezuela e Colômbia vinha sendo costurado com a mediação do Brasil e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Aproximação Em Caracas, o primeiro gesto de aproximação foi a presença do chanceler venezuelano Nicolas Maduro na posse de Santos. Ao chegar à Bogotá, Maduro disse à BBC Brasil ter vindo para "construir o futuro" e recuperar o diálogo com o novo governo.

Uma fonte da chancelaria venezuelana disse à BBC Brasil que Maduro e a nova chanceler colombiana Maria Angela Holguín devem se reunir neste domingo.

A disputa diplomática entre Colômbia e Venezuela teve início há uma semana, quando o governo de Bogotá apresentou ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) supostas provas sobre a presença de 1,5 mil guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.

Em resposta, em 22 de julho, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia ao qualificar as acusações de mentirosas. Para Chávez, a crise era parte de uma "desculpa" para justificar uma intervenção armada da Colômbia em seu país, que a seu ver, conta com o apoio dos Estados Unidos.

O presidente equatoriano Rafael Correa também assistiu à posse, apesar de ter rompido relações diplomáticas com a Colômbia em 2008, quando o Exército colombiano invadiu o Equador para bombardear um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que fora instalada perto da fronteira. O líder guerrilheiro, Raúl Reyes, número dois na linha de mando das Farc foi morto na operação, junto com outras 25 pessoas.

Na cerimônia de posse em Bogotá, neste sábado, Correa apertou a mão de Santos.

Farc Santos, que recebeu uma oferta de diálogo com as Farc dias antes da posse, disse que as portas para uma negociação "não estão fechadas com chave", porém, condicionou um virtual acordo à libertação incondicional de todos os reféns, o fim da extorsão e a deserção de todas as crianças que teriam sido recrutadas pela guerrilha para compor seu exército.

Caso contrário, disse Santos, "continuaremos enfrentando (os grupos irregulares) com tudo que estiver a nosso alcance e vocês que me escutam sabem que nós somos eficazes", afirmou.

Santos, herdeiro político do ex-presidente Álvaro Uribe, defendeu a política de Segurança Democrática, carro-chefe da política uribista que consiste na via militar, não negociada para o conflito armado.

"É possível ter uma Colômbia em paz, sem guerrilha e vamos demonstrar isso pela razão ou pela força", afirmou.

Uribe, considerado um dos presidentes mais populares e polêmicos da história da Colômbia, esteve atrás de Santos durante todo o discurso. O ex-presidente foi homenageado pelo seu sucessor, que afirmou que Uribe "mudou" a história do país.

Santos, que disse ser o presidente da "unidade nacional", participou na manhã deste sábado de uma cerimônia de posse simbólica com comunidades indígenas e afrodescendentes em Sierra Nevada. A cerimônia oficial contou com a participação de pelo menos 5 mil convidados e 20 chefes de Estado. Santos herda de Uribe um país relativamente mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, e com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com um deficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto e com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas taxas da América Latina.

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