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10/08/2010 - 21h21

Colômbia e Venezuela reestabelecem relações e encerram crise

Após mais de quatro horas de reunião, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, anunciaram o reestabelecimento de relações diplomáticas e deram por superada uma das piores crises da história entre os países vizinhos.

"Celebro muito, muitíssimo, esse encontro hoje com o presidente Chávez", disse Santos que afirmou que, apesar de os dois líderes já terem tido "tantas diferenças, decidimos virar a pagina e pensar no futuro nossos povos e paises".

"É algo que temos que celebrar", completou o novo presidente colombiano.

Chávez, cujo governo havia rompido relações com o da Colômbia desde 22 de julho, também elogiou o diálogo com Santos, ocorrido na cidade colombiana de Santa Marta.

"Eu vim aqui para virar a página e a conversa franca, aberta (...) estabelecemos uns principios, colocamos, como diria Bolívar, a pedra fundamental de nossa nova relação, agora temos que cuidá-la", disse ele.

Local simbólico
O encontro entre Chávez e Santos aconteceu em Santa Marta, na Quinta San Pedro Alejandrino, lugar onde morreu o venezuelano e líder da independência da América hispânica Simón Bolívar, em 1830.

A discrição é parte da mudança que a chegada de Santos ao poder promoveu na diplomacia colombiana. O fim do tom conflituoso era um pedido dos mediadores da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em especial do governo brasileiro.

O Brasil defende que Caracas e Bogotá deixem de fazer "diplomacia de microfones", em uma referência a discursos de tom veemente que marcaram a relação entre o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e Chávez, para solucionar este, e evitar novos conflitos.

O rápido acordo para o encontro de Santos e Chávez, três dias após a posse do novo presidente, é interpretado pelo historiador e analista político colombiano Jorge Melo como uma demonstração de que Santos quer "corrigir as falhas" do governo anterior, que passaram a ser alvo de críticas no país.

"Muitos criticavam a polarização promovida por Uribe. Esse gesto mostra que Santos abandonou esta linguagem, é uma mudança dramática", afirmou Melo à BBC Brasil.

A seu ver, o encontro poderá propiciar canais permanentes de discussão para evitar novos conflitos, com base na cooperação. "Santos sabe que a guerra real da Colômbia é contra as Farc e não com a Venezuela", afirmou.

Para o historiador, foi "hábil" e "simbólica" a decisão do novo governo de indicar a casa onde Símon Bolívar morreu como lugar onde as relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá poderão ser reatadas.

"Bolívar é a figura central para o governo venezuelano, mas também foi o libertador da Colômbia. É um personagem que marca a união entre os dois países", afirmou.

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