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10/08/2010 - 07h36

Líderes de Colômbia e Venezuela aguardam encontro com otimismo e cautela

Os governos de Colômbia e Venezuela encaram com misto de otimismo e cautela a reunião, nesta terça-feira, entre o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que pode pôr fim à crise entre os dois países.

Tanto Santos como Chávez têm indicado que o objetivo final do encontro é o reestabelecimento das relações diplomáticas, rompidas em 22 de julho, depois que a Colômbia acusou a Venezuela de abrigar guerrilheiros em seu território.

O novo presidente colombiano disse esperar que a reunião bilateral consiga chegar "a conclusões que levem à normalização de relações entre os dois países".

Em Caracas, Chávez, por sua vez, disse que espera "começar uma nova relação para bem de ambos países, pela paz, progresso e desenvolvimento", afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atuou como mediador da crise, desejou "sorte" a Santos: "Peço a Deus sorte a Santos em sua reunião com Chávez. Que Deus o abençoe para que construa a paz que todo o mundo quer", afirmou Lula em entrevista coletiva em São Paulo, ao lado do presidente de El Salvador, Mauricio Funes.

Local simbólico A reunião entre Chávez e Santos deve ter início às 12h30m (14h30m de Brasília), em Santa Marta, na Quinta San Pedro Alejandrino, lugar onde morreu o venezuelano e líder independentista da América Latina hispânica Simón Bolívar, em 1830.

Um assessor da chancelaria venezuelana disse à BBC Brasil que a reunião entre a nova chanceler da Colômbia, Maria Angela Holguin, e seu colega venezuelano, Nicolás Maduro - onde foi acordado o encontro entre os mandatários - foi marcada pela preocupação em conduzir as negociações da forma mais cautelosa possível.

"Foi uma reunião lenta, todos medem o que dizem", afirmou.

O assessor venezuelano disse ainda que um dos possíveis temas a serem abordados por Santos e Chávez é o controle fronteiriço, pivô da crise binacional.

"A fronteira é o ponto fundamental e queremos discutir esses aspecto de maneira integral, pensando na segurança, no desenvolvimento social e econômico da fronteira", afirmou o assessor da chancelaria venezuelana, "(O ex-presidente Álvaro ) Uribe não queria cooperação na fronteira. Se avançarmos nisso, será muito positivo", completou.

Venezuela e Colômbia compartilham mais de dois quilômetros de fronteira.

Encontro A discrição é parte da mudança que a chegada de Santos ao poder promoveu na diplomacia. O fim do tom conflitivo era um pedido dos mediadores da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em especial do governo brasileiro.

O Brasil defende que Caracas e Bogotá deixem de fazer "diplomacia de microfones", em uma referência a discursos de tom veemente que marcaram a relação entre o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e Chávez, para solucionar este, e evitar novos conflitos.

A reunião entre os presidentes foi preparada, na segunda-feira, na Casa de Narino, sede do governo colombiano, em absoluto segredo.

Em seu primeiro dia de trabalho como presidente, Santos se reuniu durante trinta minutos com o secretário-geral da Unasul, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, e a chanceler colombiana.

Kirchner continua na Colômbia e deve participar da reunião entre Chávez e Santos, segundo a Telam. Sua presença, de acordo com analistas, reforça a posição do governo da Venezuela, que vê com bons olhos a mediação da Unasul, mas pode incomodar Santos, que em seu discurso de posse disse ter como prioridade retomar as relações com Caracas sem mediadores.

Mudança de rumo O rápido acordo para o encontro de Santos e Chávez, três dias após a posse do novo presidente, é interpretado pelo historiador e analista político colombiano Jorge Melo como uma demonstração de que Santos quer "corrigir as falhas" do governo anterior, que passaram a ser alvo de críticas no país.

"Muitos criticavam a polarização promovida por Uribe. Esse gesto mostra que Santos abandonou esta linguagem, é uma mudança dramática", afirmou Melo à BBC Brasil.

A seu ver, o encontro poderá propiciar canais permanentes de discussão para evitar novos conflitos, com base na cooperação. "Santos sabe que a guerra real da Colômbia é contra as Farc e não com a Venezuela", afirmou.

Para o historiador, foi "hábil" e "simbólica" a decisão do novo governo de indicar a casa onde Símon Bolívar morreu como lugar onde as relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá poderão ser reatadas.

"Bolívar é a figura central para o governo venezuelano, mas também foi o libertador da Colômbia. É um personagem que marca a união entre os dois países", afirmou.

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