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11/08/2010 - 13h51

ONU faz novo apelo por ajuda ao Paquistão

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez nesta quarta-feira um apelo para que mais US$ 460 milhões sejam enviados ao Paquistão para ajudar as vítimas das enchentes que já afetaram mais de 16 milhões de pessoas no país.

O pedido foi feito pelo coordenador de Auxílio Emergencial das Nações Unidas, John Holmes, que afirmou que o montante deve ser o suficiente para os próximos três meses.

Durante o lançamento de um plano de ajuda humanitária na sede da ONU, em Nova York, Holmes afirmou que as enchentes no Paquistão são o desastre "mais desafiador que qualquer país já enfrentou nos últimos anos".

Até agora, cerca de 1,6 mil pessoas já morreram em decorrência das enchentes causadas pelas chuvas de monção.

"O número de mortos até agora foi relativamente baixo quando comparado ao de outros desastres naturais, mas o número de afetados é extremamente alto. Se não agirmos rápido, mais pessoas podem morrer de doenças ou de falta de alimentos", disse.

Segundo Holmes, os fundos serão usados para a doação de comida, água limpa, construção de abrigos e auxílio médico.

Ajuda
A organização de caridade britânica Oxfam descreveu as enchentes como um "mega desastre" que requer uma "mega resposta". Segundo a Oxfam, essa resposta ainda não veio.

Segundo a organização, até agora a arrecadação de fundos tem sido lenta em comparação a fundos obtidos após tragédias naturais recentes.

De acordo com a Oxfam, a comunidade internacional se comprometeu em doar o equivalente a US$ 3 por pessoa afetada pelas enchentes, o que é considerado muito pouco.

Na ocasião do terremoto de 2005 no Paquistão, as doações chegaram a US$ 70 por pessoa afetada, e, no caso do terremoto do Haiti, no início do ano, a quantia chegou a US$ 495.

Enquanto isso, o grupo extremista islâmico Talebã no Paquistão pediu ao governo que rejeite qualquer ajuda vinda do Ocidente. Segundo o Talebã, o dinheiro será "desviado por oficiais corruptos".

Na terça-feira, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, retornou ao país depois de uma visita ao exterior. Ele foi extremamente criticado por não estar no país coordenando a resposta ao desastre, mesmo quando as enchentes pioraram.

Inundados
As enchentes provocadas pelas chuvas de monção - que este ano foram mais fortes do que de costume - continuam a deixar um rastro de destruição no país.

Áreas em torno das barragens de Guddu e Sukkur, na Província de Sindh, permanecem na categoria de "alto risco de enchentes".

Dezenas de milhares de pessoas que tiveram que deixar suas casas na região seguem para a cidade de Sukkur, que também está ameaçada pelas águas.

O Centro de Alerta de Enchentes previu que uma grande onda vai atingir a barragem Kotri, na Província de Sindh, entre as próximas 24 e 48 horas, ameaçando a cidade de Hyderabad.

Novas enchentes nas áreas de Punjab, acima de Guddu, precipitaram o deslocamento de centenas de milhares de pessoas para áreas mais seguras, em muitos casos pela segunda vez em duas semanas.

Muzaffargarh, uma cidade de 700 mil pessoas, foi totalmente evacuada.

As autoridades meteorológicas afirmam que as chuvas estão enfraquecendo e que pode haver uma pausa nos próximos três dias.

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