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13/08/2010 - 08h30

Índios amazônicos do Peru querem criar partido para eleições de 2011

Javier Lizarzaburu
De Lima, Peru

Grupos indígenas da Amazônia peruana anunciaram que planejam lançar seu próprio partido político antes das eleições no país, programadas para 2011.

Seu líder, Alberto Pizango, disse que pretende fazer campanha para proteger a floresta e os direitos dos índios dos Andes e do Amazonas.

O anúncio acontece cerca de um ano após esses grupos terem protagonizado um dos maiores levantes indígenas da história recente do Peru.

Pizango, que está em liberdade condicional, acusado de liderar o levante, disse que talvez concorra à Presidência. Em entrevista coletiva, representantes da Aidesep (Associação Interétnica da Selva Peruana), maior organização de índios amazônicos do país, disseram que seu partido, a Aliança para uma Alternativa para a Humanidade (Aphu), nasce não apenas como um partido indígena, e sim com uma agenda nacional.

Na língua dos índios quechua, a palavra apu quer dizer "líder" ou "deus da montanha". Durante o evento, Pizango, que tem 45 años, disse que a Aphu "tenta abraçar todos os cidadãos do Peru que defendem os bosques, a natureza e a vida no planeta Terra".

Falando à BBC, o ex-ministro do Interior do Peru Fernando Rospigliosi protestou contra o lançamento do partido e disse que Pizango "não tem qualquer chance de chegar à Presidência".

"Isto é parte do efeito Evo, pelo qual líderes que promovem a desordem e recorrem a uma série de atos violentos julgam que isso pode levá-los ao poder", afirmou. "Mas o Peru não é a Bolívia. Aqui não vai acontecer isso".

Historicamente, a população indígena na região amazônica do Peru nunca foi representada na política nacional. Pizango disse que começou a coletar as assinaturas necessárias para que o grupo seja reconhecido como um partido político e que pretende fazer o registro formal em setembro.

Protestos

A Aidesep é uma federação que reúne mais de 60 tribos do Amazonas peruano. No ano passado, índios protestaram violentamente contra empreendimentos ligados à extração de petróleo no Amazonas. Pizango nega as acusações de ter liderado o levante, em que tribos bloquearam estradas perto da cidade de Bagua. Mais de 30 pessoas morreram nos confrontos entre índios e policiais. Entre os mortos, segundo relatos, estariam 24 policiais.

Pizango fugiu para a Nicarágua para evitar a prisão, mas retornou ao Peru em maio e está em liberdade condicional. O governo peruano estima que haja 400 mil índios na Amazônia peruana, mas Pizango afirma que eles são em torno de um milhão.

Ao contrário do que ocorre na Bolívia e no Equador, a grande população indígena do Peru não tem um papel ativo na política nacional peruana nos tempos modernos.

Em junho último, o presidente do país, Alan Garcia, se recusou a assinar uma lei que daria aos povos indígenas mais poder para suspender projetos envolvendo mineração e extração de petróleo em suas terras.

A lei foi aprovada pelo Congresso, mas Garcia disse que não poderia deixar comunidades indígenas interromperem o desenvolvimento que beneficiaria a todos os peruanos.

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