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18/08/2010 - 10h59

França expulsa 79 ciganos com programa que oferece 300 euros

O governo francês anunciou que iniciará na quinta-feira a expulsão dos primeiros 79 ciganos de um total de cerca de 700 em situação ilegal que deixarão o país até o final deste mês, segundo o ministro do Interior, Brice Hortefeux.

As 79 pessoas aceitaram receber a ajuda para retorno voluntário de 300 euros por adulto (cerca de R$ 670) e 100 euros por criança (cerca de R$ 220) concedida pelo governo francês.

Os ciganos, que segundo o governo deixarão a França "por sua própria vontade", são de origem romena e serão repatriados a Bucareste em um avião comercial fretado.

O ministro da Imigração, Eric Besson, se recusa, no entanto, a falar de "voos especiais", alegando que eles são utilizados no caso de pessoas expulsas contra sua vontade.

O ministro romeno das Relações Exteriores, Teodor Baconschi, declarou nesta quarta-feira estar inquieto com "o risco de derrapagens populistas e reações xenófobas".

Discurso de Sarkozy
Desde o final de julho, os ciganos estão na mira do governo francês, que vem intensificando projetos polêmicos de medidas repressivas contra os estrangeiros em geral, após o pronunciamento sobre segurança feito pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em julho, que ficou conhecido como "discurso de Grenoble".

Além de citar seus planos para acabar com os "acampamentos selvagens" de ciganos na França, estimados em quase 600, Sarkozy havia anunciado em Grenoble seu projeto de ampliar os motivos que permitem a retirada da nacionalidade francesa de pessoas naturalizadas.

Na ocasião, Sarkozy declarou que o governo prevê retirar a nacionalidade de pessoas de origem estrangeira que agredirem policiais ou autoridades e também negar a nacionalidade francesa a menores delinquentes de origem estrangeira nascidos na França, que a obteriam automaticamente ao completar 18 anos.

"É preciso reconhecer que nós sofremos as consequências de uma imigração não controlada que resulta no fracasso da política de integração. Para um processo de integração com sucesso, é preciso controlar o fluxo de imigração", havia afirmado Sarkozy no discurso.

Estimativas indicam que haveria 15 mil ciganos na França, a grande maioria de origem romena e búlgara.

Esses países integraram a União Europeia em 2007, mas seus cidadãos ainda devem cumprir um regime transitório. Eles podem entrar na França sem formalidades e permanecer três meses sem justificar nenhuma atividade.

Passado esse prazo, eles devem ter um emprego, estar matriculados em escolas ou cursos ou comprovar que possuem recursos suficientes para viver na França.

Acampamentos
O voo fretado que expulsará 79 ciganos ocorre após o recente início do desmantelamento dos acampamentos considerados ilegais.

O governo francês já pôs fim a 51 acampamentos ilegais de ciganos em pouco mais de duas semanas, anunciou na terça-feira o ministro do Interior.

Hortefeux havia declarado no final de julho que cerca de 300 áreas ocupadas de maneira clandestina seriam desmanteladas em três meses.

Os ciganos que estavam em dois acampamentos na periferia de Paris foram instalados provisoriamente em ginásios esportivos pelas autoridades locais, de partidos da esquerda.

Os prefeitos dessas duas cidades alegaram não ter outra opção, já que as pessoas ficaram vagando pelas ruas e estradas e "o Estado não assume suas responsabilidades".

Em Bordeaux, no sudoeste da França, 140 famílias de ciganos expulsos da área que ocupavam fizeram protestos na terça-feira. Eles não aceitaram um terreno oferecido pela prefeitura, considerado por eles "insalubre e pequeno" e tentam ocupar um outro gramado.

Em uma reunião na semana passada, o Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd) criticou as medidas do governo francês em relação aos ciganos e também o projeto de retirada da nacionalidade de estrangeiros que cometerem crimes.

Segundo o ministro do Interior, além do voo fretado em 19 de agosto, haverá outro no dia 26 e um terceiro previsto "no final de setembro" que repatriará ciganos.

De acordo com o ministério da Imigração, 44 voos foram organizados em 2009 e 10 mil romenos e búlgaros retornaram aos seus países no ano passado.

O governo francês admite, no entanto, que os ciganos repatriados, de países membros da União Europeia, poderão retornar à França.

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