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19/08/2010 - 12h59

França expulsa 93 ciganos romenos

O governo francês expulsou nesta quinta-feira sob forte esquema de segurança, em dois aviões, 93 ciganos de origem romena em situação ilegal no país. O número é superior ao anunciado inicialmente, de 79 pessoas.

Apesar de críticas do governo romeno e da preocupação da ONU e da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), a França está acelerando o processo de expulsão de ciganos.

Na sexta-feira, um novo voo fretado pelo governo deve levar à capital romena, Bucareste, cerca de cem pessoas. Um quarto voo está previsto para a quinta-feira da próxima semana.

O ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, anunciou que 700 ciganos de origem romena e búlgara deverão deixar a França até o final de agosto.

Endurecimento Os 93 ciganos de origem romena expulsos nesta quinta-feira receberam uma "ajuda de retorno ao país" de 300 euros por pessoa (cerca de R$ 678) e de 100 euros por criança (cerca de R$ 226).

Um grupo de 14 pessoas, que não estava previsto inicialmente, decolou do aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, e outro, de 79 ciganos, embarcou no aeroporto de Lyon, no sudeste da França.

Apesar de o governo francês ressaltar que os ciganos deixaram a França por "decisão voluntária", eles foram levados aos aeroportos em furgões da polícia.

Um esquema de proteção policial impediu que eles pudessem falar com os jornalistas no local.

Segundo a imprensa francesa, um cordão policial e barreiras de segurança impediram que o público tivesse acesso ao terminal do aeroporto de Lyon antes do embarque dos ciganos e não havia no local ONGs ligadas aos direitos humanos.

Esta é a primeira operação de expulsão de ciganos após o endurecimento da política do governo iniciada no final de julho.

Em pouco mais de duas semanas, mais de 50 acampamentos ilegais de ciganos, de um total de 600, segundo o governo, já foram desmantelados pela polícia.

Integração O presidente da Romênia, Traian Basescu, declarou nesta quinta-feira que "o que ocorre em Paris prova a necessidade de um programa europeu de integração dos ciganos", um pedido já feito pela Romênia desde 2008, segundo ele.

Em razão da livre circulação de pessoas originárias de países membros da União Europeia, os ciganos romenos e búlgaros expulsos poderão retornar à França, como reconhece o próprio governo francês.

A Romênia e a Bulgária entraram na União Europeia em 2007 e há um regime especial regulando o trânsito de cidadãos dos dois países, que podem permanecer na França sem justificar nenhuma atividade por até três meses.

Passado esse prazo, eles devem ter um emprego, estar inscritos em cursos escolares ou comprovar recursos suficientes para residir no país.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia anunciou que "está acompanhado de perto" o processo de expulsão de ciganos na França e lembrou que a França deve respeitar as regras de livre circulação de cidadãos europeus.

Também na semana passada, um órgão antirracismo da ONU manifestou preocupação em relação à política adotada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em relação aos ciganos.

Fontes policiais citadas pelo jornal Le Figaro dizem que, como a passagem de ônibus Bucareste-Paris custa apenas 60 euros, alguns ciganos aproveitariam a ajuda de 300 euros recebida pelo governo francês para retornar à França e levar ainda outros membros da família.

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