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24/08/2010 - 03h27

Mineiros chilenos ainda não sabem que resgate poderá durar meses

Responsáveis pelo resgate dos 33 mineiros presos há 18 dias em uma mina no norte do Chile afirmaram na noite desta segunda-feira que os trabalhadores estão "bem de saúde", mas ainda não sabem que as operações para tentar retirá-los podem levar até quatro meses.

Segundo Andres Sougarret, chefe da operação, a estimativa se baseia no tempo necessário para se abrir um túnel com largura suficiente para uma retirada segura dos mineiros.

Atualmente, o único canal de comunicação com os trabalhadores na mina de ouro e cobre San José é um duto de cerca de 15 centímetros de diâmetro.

Na segunda-feira foram enviadas pelo duto cápsulas com suprimentos e remédios. Segundo o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne, foi feito também o primeiro contato por telefone com os mineiros. Segundo Golborne, durante o contato foi possível saber que os mineiros têm "muita fome", mas que estão bem de saúde.

Eles relataram que estão sobrevivendo com uma dieta racionada de duas colheres atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

De acordo com Sougarret, os trabalhadores soterrados deverão receber cartas e bilhetes escritos por suas famílias, que foram orientadas a "manter um tom otimista".

Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel ruiu. Eles estão a 700 metros de profundidade, em um abrigo de 50 metros quadrados, que contém dois bancos de madeira compridos.

Tanques de água, além de água contida em máquinas de perfuração e canais de ventilação ajudaram os homens a sobreviver, mas eles tinham pouca comida.

Esforços Uma perfuradora especial está sendo enviada para a mina, localizada perto da cidade de Copiapó, no norte do país, para tentar abrir uma passagem que permita a saída dos mineiros.

Desde a noite de domingo engenheiros tentam abrir mais linhas de comunicação com os mineiros, além de reforçar o duto de 15 centímetros de diâmetro já aberto, para evitar que a passagem seja obstruída pela queda de rochas.

O duto está sendo usado por equipes de resgate para enviar suprimentos aos mineiros em pequenas cápsulas de plástico azul, apelidadas de "palomas" (pombas, em espanhol).

Além de água, estão sendo enviadas cápsulas com comida - em forma de uma solução altamente calórica de glicose -, além de medicamentos para diminuir acidez estomacal.

Uma das maiores preocupações agora é com a saúde mental dos confinados. Uma equipe de médicos e psicólogos chegou ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais dos trabalhadores durante o longo período de espera pelo resgate.

"Precisamos estabelecer com urgência qual o estado psicológico em que eles se encontram. Eles precisam entender o que sabemos aqui na superfície, que levará várias semanas até eles verem a luz do sol", disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich.

"Deve-se estabelecer uma liderança (entre eles) e uma rede de apoio para prepará-los para o que está pela frente, o que não é pouco", completou.

Bilhete Até este domingo os mineiros ainda não haviam feito contato com as equipes de resgate e havia pouca esperança de que pudessem estar vivos.

O anúncio de que os trabalhadores estavam vivos foi feito pelo presidente do Chile, Sebastián Piñera, depois de uma sonda perfuradora ter voltado à superfície com um bilhete onde os mineiros afirmavam estar bem.

"Estamos bem, em um refúgio, os 33", dizia o bilhete.

Pouco depois, uma câmera enviada com uma sonda para o interior da mina captou imagens de nove mineiros, aparentemente em boas condições de saúde.

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