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24/08/2010 - 08h55

Paquistão discute iminente crise de saúde pública em meio a enchentes

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, convocou uma reunião de emergência para discutir as crescentes preocupações com uma iminente crise de saúde pública por causa das piores enchente da história do país.

Até 20 milhões de pessoas ficaram desabrigadas nas últimas quatro semanas pelas inundações, que já atingem cerca de um quinto de todo o território do país.

As autoridades agora temem a ocorrência de epidemias de doenças transmitidas pelas águas contaminadas.

Equipes médicas nas áreas afetadas relatam a dificuldade de lidar com casos crescentes de diarreia e suspeitas de cólera.

Ainda há o temor de que o rio Indus, que está em seu nível mais alto em cinco décadas na cidade de Hyderabad, suba ainda mais.

Andrej Mahecic, da agência das Nações Unidas para refugiados (UNHCR) disse que cerca de 80% da cidade de Jacobabad, na província de Sindh, está sob até 1,5 metro de água e que a inundação se dirige agora para o sul, na direção da província do Baluchistão.

Segundo ele, 3,6 milhões de pessoas estão desabrigadas na província de Sindh, mas esse número pode subir nos próximos dias.

Risco
As enchentes já mataram cerca de 2 mil pessoas, mas milhões de pessoas estão sob risco de doenças transmissíveis pela água.

Raza Gilani deve se reunir ainda nesta terça-feira com autoridades médicas, funcionários do Ministério da Saúde, representantes da ONU e membros de organizações não-governamentais para discutir um plano de ação para prevenir a crise iminente no setor de saúde pública.

A correspondente da BBC em Islamabad Jill McGivering diz que a reunião parece ser uma tentativa do governo de melhorar a coordenação em meio às crescentes críticas sobre sua reação à crise.

Segundo McGivering, os médicos nas regiões atingidas vêm relatando números crescentes de pessoas com problemas incluindo doenças de pele, desidratação e diarreia.

As autoridades esperam estabelecer um plano emergencial durante a reunião, para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis.

Campos para desabrigados foram montados na província de Sindh, mas o acesso a eles é estritamente controlado, e apenas uma fração das pessoas afetadas conseguiu abrigo em algum deles.

Algumas pessoas disseram à BBC que não foram capazes de se registrar em um dos campos para receber ajuda por terem perdido seus documentos ao deixarem suas casas alagadas.

Situação crítica
Funcionários da ONU descreveram a situação humanitária no Paquistão como crítica.

Eles dizem que apesar de a ONU já ter conseguido arrecadar 70% dos US$ 460 milhões pedidos para os trabalhos de assistência emergencial, muitas pessoas ainda não receberam nenhuma ajuda.

O Programa Mundial para Alimentação da ONU diz que já tem suprimentos suficientes no Paquistão para alimentar seis milhões de pessoas por um mês, mas a distribuição tem sido prejudicada por falta de recursos e pela infraestrutura danificada pelas inundações.

A porta-voz da organização Emilia Casella disse que caminhões para o transporte de suprimentos vêm tendo que fazer caminhos mais longos para evitar estradas e pontes destruídas, e que em algumas áreas a ajuda tem sido transportada na mão.

Segundo ela, em alguns locais helicópteros estão jogando do ar suprimentos como biscoitos energéticos.

'Seguir adiante'
Na segunda-feira, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse acreditar que o país nunca conseguirá se recuperar totalmente das inundações, mas que ainda assim precisa "seguir adiante".

Segundo ele, os esforços de ajuda e reconstrução podem levar pelo menos três anos.

O ministro das Finanças do país, Abdul Hafeez Shaikh, deve participar na quarta-feira de uma reunião com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para discutir o abrandamento das restrições exigidas em um pacote de empréstimo de US$ 11 bilhões para levar em consideração a nova realidade econômica do país.

Uma das possíveis medidas seria uma redução da meta de déficit fiscal que o Paquistão precisa atingir para se capacitar a receber novas parcelas do empréstimo do FMI.

As autoridades locais dizem que as inundações destruíram mais de 1,7 milhão de hectares de terras, o que deverá provocar um impacto significativo sobre o setor agrícola do país e sobre o crescimento econômico.

O diretor regional do FMI, Masood Ahmed, disse que a organização quer encontrar uma maneira de ajuda o Paquistão a atravessar "essa fase difícil".

"A economia paquistanesa enfrentava desafios mesmo antes dessas grandes enchentes. E esses desafios ainda estão lá", disse ele à BBC.

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