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26/08/2010 - 08h09

Familiares de mineiros querem processar donos de mina no Chile

Familiares de parte dos 33 trabalhadores presos sob a terra no norte do Chile pretendem apresentar nesta quinta-feira o primeiro processo criminal contra os donos da mina San José e o Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).

O advogado Ramberto Valdés, que representa as famílias, afirmou à BBC que a ação pretende especificamente que os proprietários da mina e as autoridades responsáveis por sua fiscalização sejam condenados por sua suposta responsabilidade no acidente que deixou os mineiros presos a quase 700 metros de profundidade.

Segundo ele, a ação deve permitir que o pagamento de eventuais indenizações aos mineiros e suas famílias possa ser pago com o patrimônio dos indivíduos processados mesmo no caso da anunciada falência da mina San José.

Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel da mina ruiu. Eles conseguiram se abrigar em um refúgio, com acesso limitado a água e comida.

A sobrevivência dos 33 mineiros só foi descoberta mais de duas semanas após o acidente, quando uma sonda chegou ao local onde eles estavam e voltou com um bilhete dos trabalhadores.

O resgate dos mineiros, que estão recebendo alimentos, oxigênio e medicamentos por canos, poderá levar vários meses.

Responsabilidade negada Os donos da mina negam sua responsabilidade sobre o acidente. "Não é o momento de assumir culpas nem pedir perdão", afirmou Alejandro Bohn, um dos proprietários da mina.

Tanto Bohn como outro proprietário, Marcelo Kemeny, afirmam que "tudo funcionou como estava previsto", apesar de todos os antecedentes que começaram a ser divulgados sobre a falta de condições de segurança na mina.

A ação penal que Valdés pretende apresentar nesta quinta-feira em nome dos familiares dos mineiros deverá acusar os empresários por lesões e a Sernageomin por prevaricação ao permitir a reabertura da mina em 2008.

Parentes dos mineiros disseram à BBC que o duto de ventilação da mina não contava com uma escada para fuga de emergência, que não tinha um acesso alternativo e que sua proteção contra desmoronamento era deficiente.

Alguns senadores chilenos pediram que a Sernageomin não seja "demonizada" e que sejam levados em conta os escassos recursos humanos e financeiros em alguns setores do país.

'Acusações criminosas' O advogado que representa a mina San José, Hernán Tuane, disse que seus clientes são alvo de "acusações criminosas" e anunciou que a companhia pode declarar falência diante da impossibilidade de cumprir com compromissos como o pagamento dos salários dos mineiros e a operação de resgate.

Segundo Tuane, a empresa teve seu faturamento completamente paralisado após o acidente na mina.

O ministro do Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter, qualificou a postura da empresa de "descarada". A porta-voz da Presidência, Ena von Baer, afirmou por sua vez que se trata de algo "não apresentável".

A mina San José havia sido fechada em 2007, após um acidente que provocou a morte de um mineiro após uma explosão, mas foi reaberta um ano depois.

No começo deste ano, um mineiro perdeu uma perna em um outro acidente no local.

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