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26/08/2010 - 23h59

Famílias de mineiros chilenos entram com processo contra mineradora

As famílias de 28 dos 33 trabalhadores presos desde o dia 5 de agosto em uma mina no norte do Chile entraram nesta quinta-feira com um processo contra os donos da mina San José e contra o Estado.

Advogados dos familiares afirmam que os inspetores do governo e a companhia dona da mina San José agiram com negligência ao permitir que a mina fosse reaberta há dois anos, apesar de existir temores em relação à segurança das instalações.

A mina San José havia sido fechada em 2007, após um acidente que provocou a morte de um mineiro após uma explosão, mas foi reaberta um ano depois.

Além do processo movido nesta quinta-feira, a Justiça chilena também congelou parte dos bens da mineradora San Esteban, proprietária da mina San José.

A juíza Mirta Lagos, do Primeiro Juizado de Letras de Copiapó (onde fica a mina), ordenou o congelamento de US$ 1,8 milhão dos donos da mina como medida de precaução, para cobrir possíveis custos de indenizações.

A medida foi tomada logo depois que o advogado Edgardo Reinoso entrou com um recurso penal contra a companhia, representando 27 das 33 famílias afetadas pelo acidente.

"Os donos diziam que iam entrar com pedido de falência, pois não tinham dinheiro. Isto não é verdade, pois existem bens", afirmou Reinoso.

'Calúnia' O advogado que representa os proprietários da mina San José, Hernán Tuane, disse que seus clientes são alvo de "acusações caluniosas" e anunciou que a companhia pode declarar falência diante da impossibilidade de cumprir com compromissos como o pagamento dos salários dos mineiros e a operação de resgate.

Segundo Tuane, a empresa teve seu faturamento completamente paralisado após o acidente na mina.

A família de outro mineiro preso depois do acidente, Rául Bustos, entrou com um processo separado contra a mina e contra Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).

Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel da mina ruiu. Eles conseguiram se abrigar em um refúgio, com acesso limitado a água e comida, a quase 700 metros de profundidade.

A sobrevivência dos 33 mineiros só foi descoberta mais de duas semanas após o acidente, quando uma sonda chegou ao local onde eles estavam e voltou com um bilhete dos trabalhadores.

O resgate dos mineiros, que estão recebendo alimentos, oxigênio e medicamentos por canos, poderá levar vários meses.

Declarações Nesta quinta-feira, os proprietários da mina, Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, se apresentaram ao Ministério Público de Copiapó para entregar suas declarações.

Além da Justiça chilena, uma comissão de investigação da Câmara de Deputados também está analisando os antecedentes do caso.

Patricio Leiva, ex-subdiretor da Sernageomin, que deu a autorização para a reabertura da mina San José em 2008, declarou que a responsabilidade desta decisão é de seus superiores.

Leiva disse que assinou um ofício sem ler antes o relatório geotécnico que a empresa mineradora tinha entregado.

O funcionário afirmou que tomou esta decisão confiando no critério de seus chefes, que já tinham autorizado reaberturas parciais da jazida.

Leiva afirmou que pediu que a permissão de reabertura da mina San José incluísse uma fiscalização posterior para verificar o cumprimento das medidas de segurança que a empresa deveria implementar. Segundo o funcionário, esta fiscalização, que poderia ter evitado o acidente que deixou os 33 trabalhadores presos, não foi implementada.

No que se refere às medidas de segurança, um dos aspectos que mais geraram críticas vindas dos próprios mineiros foi a falta de uma escada de emergência em um dos dutos de ventilação da mina.

Depois do desabamento, os trabalhadores tentaram escapar por meio da escada, mas descobriram que esta escada simplesmente não existia.

Como será feito o resgate dos mineiros

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