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27/08/2010 - 14h43

Promotor que investiga chacina desaparece e pode ter morrido no México

Um promotor do Ministério Público do México encarregado de investigar a chacina dos 72 imigrantes no norte do país está desaparecido e, de acordo com a imprensa local, foi assassinado pelos mesmos autores do massacre.

Roberto Javier Suárez Vázquez teria sofrido uma emboscada na estrada que leva à fazenda onde os corpos dos imigrantes foram encontrados em San Fernando, no Estado de Tamaulipas, nordeste do país.

Um policial desaparecido que também acompanhava as investigações também teria sido morto. As autoridades, no entanto, ainda não confirmaram os assassinatos.

O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage, que acompanhou parte da investigação e dos trabalhos de identificação das vítimas da chacina na quinta-feira, confirmou à BBC Brasil os desaparecimentos.

"A situação realmente é muito complicada", disse.

Carro-bomba
Na véspera, alegando questões de segurança, o governo mexicano proibiu que os diplomatas do Brasil, El Salvador, Equador e Honduras fossem até o local do massacre e tiveram que ficar na cidade de Reynosa, de onde recebiam informações sobre o andamento das investigações.

"As autoridades têm muita dificuldade de controlar esta região, que é semidesabitada, onde há essa constante luta entre grupos narcotraficantes", afirmou.

Também nesta sexta-feira, pelo menos uma explosão, aparentemente de um carro-bomba, ocorreu sem deixar vítimas na capital de Tamaulipas, Ciudad Victoria, perto da sede do canal de TV Televisa na cidade.

Nenhum grupo assumiu autoria pelo atentado, mas analistas acreditam que ele seja parte de uma campanha de intimidação movida pelos traficantes contra a imprensa.

Brasileiro
A desaparição dos funcionários ocorreu em meio ao processo de identificação das 72 vítimas da chacina, considerada como uma das piores da história do México. Até a manhã desta sexta-feira, legistas haviam feito a autópsia em apenas 41 corpos, mas a maioria não pôde ser identificada.

Segundo Lage, as autoridades mexicanas disseram que há um brasileiro entre os corpos que passaram por autópsia na quinta-feira. O cônsul-geral do Brasil questiona, no entanto, a informação, por não ter tido acesso ao documento que apontaria a nacionalidade da vítima.

"As autoridades disseram que há um brasileiro, mas não nos mostraram um documento que mostre isso. Como eles chegaram à conclusão de que é um brasileiro?", afirmou.

"O nome parece de um salvadorenho, de hondurenho, pode ser de qualquer outro país", acrescentou.

Lage disse que o imigrante equatoriano que sobreviveu a chacina "disse ter certeza" de que há um brasileiro entre o grupo, porque teria conversado com ele. O cônsul-geral brasileiro disse que é preciso esperar o final do processo de identificação para precisar se há um ou mais brasileiros entre as vítimas.

A dificuldade em identificar a nacionalidade das vítimas ocorre porque muitas não possuíam passaportes ou documentos de identidade.

As fotografias do local da chacina, uma fazenda na cidade de Reynosa, mostram que as vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas. Os imigrantes foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros.

Nesta sexta-feira os corpos estavam seriam trasladados ao instituto médico legal da cidade de Reynosa, devido à precariedade das condições em que o trabalho de autópsia vinha sendo realizado, na fazenda onde ocorreu o massacre.

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