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28/08/2010 - 14h54

Identidade de brasileiro é confirmada entre vítimas de chacina no México

O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage, confirmou à BBC Brasil que há pelo menos um brasileiro entre as vítimas da chacina dos 72 imigrantes latino-americanos no estado de Tamaulipas, nordeste do país. Um outro passaporte brasileiro foi encontrado no local dos assassinatos, porém, o corpo ainda não foi identificado.

Chacina de imigrantes no México

  • A chacina aconteceu em uma fazenda na cidade de San Fernando, em Tamaulipas

"Nós tivemos acesso à cópia do passaporte, é um brasileiro", afirmou Lage à BBC Brasil. O diplomata disse que o Itamaraty está tentando entrar em contato com a família da vítima no Brasil. Somente depois disso o nome do imigrante brasileiro será divulgado.

Também foi encontrado um segundo passaporte brasileiro entre os documentos das vítimas da chacina, porém, o corpo que corresponde à esta identidade ainda não foi identificado pelas autoridades.

"Foi encontrado o documento de um outro brasileiro também, mas que ainda não foi identificado", afirmou Lage. "O processo de identificação é lento e tem que ser feito com cuidado. Estamos aguardando", acrescentou.

Até este sábado, 41 corpos foram submetidos à autopsia, dos quais, apenas 31 puderam ser identificados. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, até o momento, além de um brasileiro, foram identificados 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos.

Olhos vendados As fotografias do local da chacina, uma fazenda na cidade de Reynosa, mostram que as vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas. Os imigrantes foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros na terça-feira.

Equatoriano é única testemunha da chacina

O equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, sobrevivente da chacina ocorreu no no último domingo em uma fazenda em San Fernando, em Tamaulipas (México), foi declarado testemunha protegida pelo Ministério Público do país.

Pomavilla caminhou diversos quilômetros depois de deixar o local do crime e foi resgatado pela Marinha. Ele ainda se recupera em um centro médico na Marinha.

De acordo com informações do jornal mexicano “El Comercio”, a família de Pomavilla, que mora na comunidade de Ger, na região de Cañar, no Equador, afirmou que já receberam ameaças de um traficante conhecido apenas como Carlos.

Agora o Ministério do Interior ordenou que a polícia garanta a segurança dos familiares do equatoriano.


As autoridades mexicanas não souberam precisar quanto tempo ainda pode levar os trabalhos de identificação das vítimas que foram levadas para o instituto médico legal da cidade de Reynosa, próxima à fronteira com os Estados Unidos e da fazenda onde o grupo de narcotraficantes Los Zetas teriam sequestrado e em seguida assassinado os imigrantes.

O único sobrevivente da chacina, um jovem equatoriano, foi ferido com um tiro na garganta e ainda está hospitalizado. O governo mexicano concedeu na sexta-feira um visto humanitário ao imigrante, que viajava ilegalmente pelo país na tentativa de cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos.

Esta medida foi anunciada em meio à críticas do governo do Equador, que se mostrou preocupado com a segurança do imigrante pelo fato de as autoridades mexicanas terem divulgado à imprensa fotografias e o nome do equatoriano, a única testemunha da chacina.

Promotor O promotor do Ministério Público do México encarregado de investigar o massacre continua desaparecido. A imprensa local disse que Roberto Javier Suárez Vázquez teria sofrido uma emboscada e foi assassinado pelos mesmos autores do massacre. O presidente do México, Felipe Calderón negou a versão de assassinato e disse que Vázquez está "desaparecido".

O delegado regional do estado de Tamaulipas, que também acompanhava as investigações, também continua desaparecido.

Na sexta-feira, pelo menos uma explosão, aparentemente de um carro-bomba, ocorreu sem deixar vítimas na capital de Tamaulipas, Ciudad Victoria, perto da sede do canal de TV Televisa na cidade.

Nenhum grupo assumiu autoria pelo atentado, mas analistas acreditam que ele seja parte de uma campanha de intimidação movida pelos traficantes contra a imprensa.

O sequestro de imigrantes que cruzam o México rumo aos Estados Unidos se tornou uma prática comum entre os cartéis do narcotráfico que controlam a zona fronteiriça do país.

De acordo com um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH), em seis meses cerca de 10 mil pessoas foram sequestradas, o equivalente a mais de 1,6 mil vítimas por mês.

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