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28/08/2010 - 21h51

Itamaraty identifica dois brasileiros vítimas de chacina no México

O Itamaraty identificou neste sábado duas vítimas brasileiras na chacina dos 72 imigrantes latino-americanos no Estado de Tamaulipas, nordeste do México.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos e natural de Minas Gerais, foi identificado entre as vítimas.

As autoridades mexicanas também encontraram os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos e também de Minas Gerais. O corpo desta segunda vítima ainda não foi identificado.

No entanto, o Itamaraty já entrou em contato com as famílias dos dois.

"Nós tivemos acesso à cópia do passaporte, é um brasileiro", afirmou o cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Lage, à BBC Brasil neste sábado.

"O processo de identificação é lento e tem que ser feito com cuidado. Estamos aguardando", acrescentou Lage se referindo ao outro brasileiro cujos documentos foram encontrados mas cujo corpo não foi identificado.

Até este sábado, 41 corpos foram submetidos à autopsia, dos quais, apenas 31 puderam ser identificados. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, até o momento, além de um brasileiro, foram identificados 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos.

Olhos vendados As fotografias do local da chacina, uma fazenda na cidade de Reynosa, mostram que as vítimas tiveram olhos vendados, bocas e mãos atadas. Os imigrantes foram colocados em fila, contra a parede de um galpão, onde foram mortos a tiros na terça-feira.

As autoridades mexicanas não souberam precisar quanto tempo ainda pode levar os trabalhos de identificação das vítimas que foram levadas para o instituto médico legal da cidade de Reynosa, próxima à fronteira com os Estados Unidos e da fazenda onde o grupo de narcotraficantes Los Zetas teriam sequestrado e em seguida assassinado os imigrantes.

O único sobrevivente da chacina, um jovem equatoriano, foi ferido com um tiro na garganta e ainda está hospitalizado. O governo mexicano concedeu na sexta-feira um visto humanitário ao imigrante, que viajava ilegalmente pelo país na tentativa de cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos.

Esta medida foi anunciada em meio à críticas do governo do Equador, que se mostrou preocupado com a segurança do imigrante pelo fato de as autoridades mexicanas terem divulgado à imprensa fotografias e o nome do equatoriano, a única testemunha da chacina.

Promotor O promotor do Ministério Público do México encarregado de investigar o massacre continua desaparecido. A imprensa local disse que Roberto Javier Suárez Vázquez teria sofrido uma emboscada e foi assassinado pelos mesmos autores do massacre. O presidente do México, Felipe Calderón negou a versão de assassinato e disse que Vázquez está "desaparecido".

O delegado regional do Estado de Tamaulipas, que também acompanhava as investigações, também continua desaparecido.

Na sexta-feira, pelo menos uma explosão, aparentemente de um carro-bomba, ocorreu sem deixar vítimas na capital de Tamaulipas, Ciudad Victoria, perto da sede do canal de TV Televisa na cidade.

Nenhum grupo assumiu autoria pelo atentado, mas analistas acreditam que ele seja parte de uma campanha de intimidação movida pelos traficantes contra a imprensa.

O sequestro de imigrantes que cruzam o México rumo aos Estados Unidos se tornou uma prática comum entre os cartéis do narcotráfico que controlam a zona fronteiriça do país.

De acordo com um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH), em seis meses cerca de 10 mil pessoas foram sequestradas, o equivalente a mais de 1,6 mil vítimas por mês.

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