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30/08/2010 - 05h06

Prefeito é morto em onda de violência no México após chacina

O prefeito de uma cidade no Estado mexicano de Tamaulipas foi morto a tiros no domingo, em uma onda de violência na região após a descoberta dos corpos de 72 imigrantes na semana passada.

O prefeito da cidade de Hidalgo, Marco Antonio Leal Garcia, de 46 anos, foi morto por atiradores. No incidente, a sua filha de quatro anos ficou ferida. Há duas semanas, o prefeito de outra cidade próxima da região havia sido morto por atiradores.

Na sexta-feira, o Exército mexicano disse ter capturado um homem ligado a um dos cartéis da cidade de Monterrey. Francisco Zapata Gallegos, conhecido como "Careca", teria confessado o envolvimento no assassinato de dois estudantes universitários.

A polícia diz que ele pertence ao cartel Los Zetas, a quem as autoridades atribuem a onda de violência atual que se intensificou na sexta-feira.

Onda de violência

Uma série de ataques com bombas atingiu Tamaulipas desde sexta-feira. Quatro dispositivos explodiram na região em um intervalo de apenas 24 horas deixando 17 feridos.

As explosões pareciam ter como alvo locais ligados a investigação das mortes dos 72 imigrantes. Acredita-se que criminosos estão tentando intimidar a polícia, que busca provas dos crimes.

Três bombas caseiras explodiram no sábado na cidade de Reynosa, onde fica a fazenda na qual os 72 corpos foram encontrados.

Uma das bombas explodiu perto de uma igreja onde era rezada uma missa em homenagem às vítimas. Segundo o repórter da BBC Greg Morsbach, as pessoas ouviram a explosão quando se reuniam para a missa.

Outras duas bombas foram detonadas perto do necrotério onde especialistas tentam identificar os imigrantes. A explosão feriu um policial e um civil além de ter destruído uma guarita em frente ao prédio.

De acordo com Morsbach, no último ataque, um homem foi visto atirando uma granada contra uma delegacia de polícia.

Na sexta-feira, outras duas bombas explodiram na capital do Estado de Tamaulipas, Ciudad Victoria, tendo como alvo a sede de um canal de televisão e os escritórios da autoridade responsável pelos transportes. Ninguém ficou ferido.

Los Zetas

A polícia afirma que os atentados têm todas as marcas registradas de ataques realizados pelo grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México e apontado como o responsável pelas mortes dos imigrantes.

Até o momento, as autoridades mexicanas conseguiram identificar apenas 31 entre os 72 mortos. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, foram identificados um brasileiro, 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos.

As autoridades mexicanas também encontraram o passaporte de um brasileiro entre os objetos das vítimas. E, no sábado, o Itamaraty divulgou o nome do brasileiro identificado e o nome que consta no documento encontrado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, foi identificado entre as vítimas. Os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, foram encontrados na fazenda em Reynosa, onde ocorreu o massacre. No entanto, o corpo desta segunda vítima ainda não foi identificado.

Um sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros. Eles haviam se recusado a trabalhar para os sequestradores.

O sobrevivente está sob proteção policial em um hospital militar da Cidade do México.

Um promotor que liderava a investigação sobre as mortes está desaparecido desde a quarta-feira. Promotores mexicanos disseram temer pela segurança de Roberto Suarez, que desapareceu junto com um policial que o acompanhava.

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