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Crise no mundo árabe

Iniciadas em janeiro, manifestações se espalham em países da África e do Oriente Médio; os ditadores de Tunísia, Egito e Líbia já caíram

  • Imagem: Ahmad Al-Rubaye/ AFP
25/02/2011 - 09h25

Sob pressão, Gaddafi anuncia distribuição de ajuda à população

Sob pressão para renunciar e com rebeldes controlando algumas das principais cidades da Líbia, o líder do regime, Muammar Gaddafi, anunciou nesta quinta-feira a distribuição de recursos em dinheiro para as famílias líbias e o aumento de salário para os funcionários públicos.

Segundo o governo, cada família receberá pagamentos equivalentes a cerca de US$ 400 para compensar o aumento nos preços dos alimentos.

O regime também anunciou que o salário mínimo será praticamente dobrado, enquanto entre os trabalhadores do serviço público a elevação será de até 150%.

O anúncio vem um dia depois que o líder líbio falou por telefone a uma emissora de TV e dirigiu-se às famílias líbias para tentar acalmar os protestos.

"Voltem para as suas casas, conversem com os seus filhos", disse Gaddafi, durante sua participação telefônica na TV.


"Eles são jovens, eles estão armados, estão usando granadas, estão atacando delegacias de polícia. Isso é causado pelo uso excessivo de drogas."

Ele culpou a influência de Bin Laden e da rede extremista Al Qaeda, assim como "o uso excessivo de drogas" pelos protestos que pedem o fim do seu governo.

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Observadores afirmam que o anúncio de Gaddafi é similar às medidas tomadas na Tunísia por Zine al-Abidine Ben Ali, deposto no mês passado, apesar das tentativas de acalmar os protestos contra o seu regime.

Ben Ali prometeu benefícios semelhantes, que incluíam a criação de empregos e medidas anticorrupção.

Na quinta-feira, as forças leais ao governo lançaram ofensivas para reaver ou controlar cidades no oeste do país, já que o leste se encontra firmemente sob o controle da oposição.

Mas há temores de que milícias ligadas a Gaddafi estejam se articulando para atacar os rebeldes no leste, de acordo com relatos de jornalistas no local.

Também há expectativas quanto a possíveis cenas de violência na capital, Trípoli, que está sob vigilância das forças especiais de Gaddafi e permanece um bastião do regime.

Nesta sexta-feira, o programa de alimentação da ONU disse que a cadeia de suprimento de alimentos da Líbia está sendo seriamente afetada pela situação política.

Segundo a ONU, as importações estão impossibilitadas de entrar no país e, dentro da Líbia, o funcionamento da cadeia de distribuição está sendo obstruído pela violência.

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