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Terremoto no Japão

Um dos maiores tremores da história desencadeia um tsunami, provoca mortes e deixa um rastro de destruição no Japão

  • Imagem: Reprodução
30/03/2011 - 05h15

Agricultor japonês se mata após saber de contaminação de plantação

Um agricultor de 64 anos, da cidade de Sukagawa, província de Fukushima, se suicidou após saber que sua plantação de repolhos estava contaminada e que todo o trabalho iria para o lixo.

"Este é o fim para os vegetais de Fukushima", lamentou o japonês para o filho de 35 anos, antes de se enforcar.

Segundo reportagem da TV Tokyo, o agricultor estava abalado com as notícias do terremoto e do tsunami, mas tentava encontrar ânimo para enviar ao mercado os 7.500 repolhos da sua plantação.

No dia 21 de março, o governo japonês anunciou a restrição de consumo de espinafre produzido na província de Fukushima. Dois dias depois, outras hortaliças entraram na lista.

No total, 11 tipos de legumes e verduras, produzidas em quatro províncias, foram proibidas de serem comercializadas.

Sem agrotóxicos

Segundo matéria publicada pelo jornal Asahi, o agricultor plantava vegetais sem agrotóxicos há mais de 30 anos. Gastou cerca de uma década para desenvolver a produção de repolhos.

O filho contou que o pai dizia que era preciso tomar muito cuidado com o uso de agrotóxicos na produção, pois boa parte era consumida por crianças em merendas escolares. "Ele tinha muito orgulho dos repolhos, pois eram considerados seguros", disse.

O agricultor se matou no dia 24 de manhã. "Ele foi assassinado pela usina nuclear", resumiu o filho.

A preocupação das autoridades agora é saber o que fazer para ajudar os agricultores enquanto eles esperam o sinal verde para recomeçar.

O governo já prometeu ajuda financeira. Mas o suicídio do agricultor de Fukushima acendeu o sinal vermelho e o medo é que a situação possa ficar pior com o passar do tempo com a população ociosa.

Plantações comprometidas

Além das hortaliças e legumes contaminados, agricultores da região Tohoku, área mais atingida pelo tsunami, também contabilizam as perdas. São mais de 20 mil hectares de terras que foram tomadas pela água salgada.

Conhecida como "celeiro do Japão", é de lá que sai boa parte da comida que é consumida pelos japoneses. Arroz, legumes, frutas e pescados são os principais produtos locais.

De acordo com pesquisas do Ministério da Agricultura japonês, o trabalho de dessalinização para recuperar as áreas de plantio deve durar meses e a produção de arroz será duramente afetada.

Segundo divulgou o jornal Asahi, o ministério está avaliando as áreas atingidas por meio de imagens de satélite oferecidas pelo centro geoespacial do Japão. Técnicos também fazem análises do solo.

As autoridades dizem que será preciso esforços coletivos para que a região volte a produzir. Importação de terra e drenagem do solo fazem parte da ação.

No entanto, em algumas áreas, o ministério diz que o processo deverá durar mais de um ano.

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