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24/01/2008 - 05h37

Israel quer discutir com Brasil aproximação de Chávez com Irã

O governo de Israel quer discutir com o governo brasileiro a aproximação entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e a influência do país islâmico na América Latina.

O assunto será tratado na visita do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a Israel, marcada para 14 de fevereiro, de acordo com a embaixadora de Israel em Brasília, Tzipora Rimon.

O vice-ministro da Defesa de Israel, o general na reserva Matan Vilnai, afirmou hoje à emissora das Forças Armadas que o país se "desligou" da Faixa de Gaza após a derrubada, por milicianos palestinos, da barreira na fronteira com o Egito.

Vilnai disse que "o esforço (de Israel) para se desconectar de Gaza" - que começou em agosto de 2005 com a evacuação dos assentamentos judaicos - "continuará".
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Israel vai pedir que o Brasil use sua influência na região, nas entidades multilaterais das quais participa, para interceder e tentar reduzir a influência de Ahmadinejad.

"Estamos muito preocupados com a influência do Irã na América Latina", disse a embaixadora. "Os embaixadores iranianos na região foram orientados a entrar mais na América Latina, intensificar os contatos comerciais", afirmou.

Afinidades
Ahmadinejad e Chávez têm afinidade no discurso antiamericano, além de interesses econômicos semelhantes em relação ao petróleo, com a aliança na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Rimon diz que Israel também teme que Ahmadinejad, que já declarou que quer "apagar Israel do mapa", amplie sua influência para outros países da região, como Bolívia, Equador e Nicarágua, governados por presidentes que têm atualmente um discurso mais afinado com o de Chávez e distante do governo americano.

O raciocínio do governo israelense é que os laços comerciais podem ajudar a intensificar o fluxo de pessoas, financeiros e de mercadorias.

"Tudo isso pode facilitar a criação de uma infra-estrutura que pode servir ao terrorismo internacional", afirmou a embaixadora.

Boa relação
O Brasil também tem uma boa relação comercial com o Irã. No ano passado, empresas brasileiras venderam ao país US$ 1,8 bilhão, um aumento de 17% em relação ao ano anterior e equivalente a 1,14% das exportações brasileiras.

Mas a preocupação, diz a embaixadora israelense, não se estende ao governo brasileiro. "O Brasil tem conhecimento do que o Irã é, e sabe das suas responsabilidades", afirmou.

O governo de Israel não concorda com a declaração de um grupo de agências de inteligência dos Estados Unidos, que em dezembro afirmou que o Irã não está caminhando para construir um artefato nuclear nos próximos anos - a mesma posição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Temos nossos próprios relatórios, e eles dizem que eles podem ter uma bomba em 2009 ou 2010", afirmou a embaixadora.

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