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27/04/2008 - 20h20
Polícia acha 'mini-apartamento' em porão onde mulher ficou 24 anos

A polícia austríaca encontrou uma espécie de 'mini-apartamento' por trás da porta que supostamente trancou por 24 anos uma mulher mantida em cativeiro e abusada sexualmente por seu próprio pai.

O caso, que deixou em choque a pequena Amstetten, a cerca de 130 quilômetros da capital, Viena, atraiu a atenção da imprensa e deixou muitos austríacos recordando o caso da menina Natasha Kampusch, que passou oito anos em cativeiro.

A polícia não faz uma ligação entre os dois casos, mas a enviada da BBC a Amstetten, Bethany Bell, diz que a nova revelação está fazendo muitos no país questionarem a razão de histórias semelhantes passarem despercebidas.

Neste domingo, a polícia austríaca anunciou ter prendido um homem de 73 anos identificado como Josef F., sob suspeita de ter mantido sua filha, hoje uma mulher de 42 anos identificada como Elisabeth F., em um porão por 24 anos e abusado dela ao longo deste período.

As autoridades revelaram que Elisabeth vivia no porão com três crianças - de sete que pai e filha teriam tido no total. Segundo os investigadores, três crianças foram adotadas ou criadas pelo suspeito e sua mulher, e uma morreu pouco depois do parto.

Eles disseram que a mulher, Rosemarie, parecia desconhecer os crimes do marido.

O porta-voz da polícia, Franz Polzer, disse que chegou ao porão depois que Josef informou um código para destravar as portas.

"Não havia apenas um, mas vários quartos", disse ele. "Um para dormir, um para cozinhar, havia também instalações sanitárias."
Segundo ele, o local tem chão irregular. Um corredor "muito estreito" leva a uma porta "muito pequena", que obriga uma pessoa a se abaixar para entrar, ele descreveu.

"Tudo é muito, muito estreito e a própria vítima, a mãe dessas seis ou sete crianças, nos disse que o espaço ia sendo continuamente ampliado ao longo dos anos", informou Polzer.

Descoberta
Quando Elisabeth desapareceu, em 28 de agosto de 1984, seus pais receberam uma carta escrita à mão em sua caligrafia, pedindo-lhes que parassem de procurá-la. Na época, as autoridades assumiram que ela havia fugido de casa.

Naquele dia, na verdade, Josef tinha conseguido atrair sua própria filha para o porão, drogando-a e algemando-a antes de trancá-la, de acordo com o depoimento da vítima à polícia.

Elisabeth disse que sofria abuso desde os 11 anos de idade.

Sua existência só foi descoberta depois que uma de suas filhas, Kerstin, de 19 anos, ficou seriamente doente e teve que ser levada a um hospital, na semana passada.

Os médicos que a examinaram requisitaram que a mãe comparecesse ao hospital para relatar o histórico de saúde da filha, contou a polícia.

Josef teria então liberado tanto Elisabeth quanto as outras duas crianças - que só então viram a luz do sol pela primeira vez -, contando à sua mulher, Rosemarie, que a filha havia decidido voltar para casa.

Ele foi preso pouco depois. Testes de DNA estão sendo realizados para estabelecer se se trata do pai das seis filhas de Elisabeth.

A mãe e as crianças estão agora sob cuidados das autoridades, recebendo atenção médica e psicológica.


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