Friedman: a Lei de Moore e a Lei do Mais

Thomas L. Friedman

Thomas L. Friedman

Não é um exagero dizer que a equipe que o presidente Barack Obama nomeou para promover sua agenda verde é impressionante -uma grande combinação de cientistas e autores de políticas comprometidos em desenvolver uma economia energética que seja eficiente, limpa e segura. Agora, só resta uma lacuna para ele preencher. E é uma que apenas ele pode preencher: um presidente verde. Ele está pronto para exercer essa função com paixão e lutar pelo que é necessário para transformar o futuro energético dos Estados Unidos? Espero que sim. Mas não tenho certeza.

Sem dúvida, o presidente começou de forma excelente: seu pacote de estímulo fornecerá um empurrão incrível a todas as formas de energia renovável. O pacote de energia que está sendo elaborado pelos deputados democratas Henry Waxman e Ed Markey contém incentivos sem precedentes para eficiência em energia e inovação em tecnologia limpa. E a decisão da Agência de Proteção Ambiental de Obama de que o dióxido de carbono é um poluente que ameaça a saúde pública foi corajosa e histórica.

Mas apesar de tudo isso ser altamente importante, nós não devemos nos enganar, como fizemos por tantos anos: preço importa. Sem um preço fixado, de longo prazo e durável ao carbono, nenhuma das iniciativas de tecnologia limpa de Obama atingirá a escala necessária para ter um impacto na mudança climática ou tornar os Estados Unidos líderes naquela que deverá ser a próxima grande revolução industrial: TE, ou tecnologia de energia. A esta altura, eu buscaria um mecanismo de atribuição de preço ao carbono -comércio de emissões, deduções, imposto sobre carbono e/ou gasolina- desde que seja real e forneça aos consumidores e investidores um incentivo de longo prazo para adoção de carros, eletrodomésticos e prédios mais limpos.

Bob Lutz, um vice-presidente da General Motors, oferece um exemplo útil do motivo para o preço importar. Quando o Congresso exige que Detroit produza carros menores, mais leves, com melhor desempenho de consumo, mas então se recusa a atribuir um preço mais alto ao carbono -como um imposto sobre a gasolina- para que mais consumidores queiram comprar estes carros menores, disse Lutz, equivale a ordenar que todos os fabricantes de camisas americanos produzam apenas modelos de tamanho pequeno, sem nunca pedir aos americanos que façam dieta. Você não venderá muitos modelos de tamanho pequeno.

Não tenha dúvida: de festas de chá da direita até Estados produtores de carvão e fabricantes, haverá uma campanha impiedosa para matar qualquer tentativa de estabelecer preço ao carbono, incluindo o comércio de emissões. Um vasto exército de lobistas já está trabalhando contra isso. Apenas Obama pode impedir isso. Apenas ele conta com a plataforma para emoldurar e elevar esta questão adequadamente, e apresentá-la ao povo americano com a paixão e clareza necessárias para mover o país. Será necessário mais que um discurso.

Aqui está uma forma de começar: "Meus caros americanos, eu quero falar a vocês sobre uma nova lei econômica. Vocês ouviram falar da Lei de Moore da tecnologia de informação. Eu gostaria de falar a vocês sobre a 'Lei do Mais' em tecnologia de energia. Americanos, indianos, chineses, africanos, todos nós queremos mais -mais conforto em nossos lares, mais mobilidade em nossas vidas, mais tecnologias com as quais inovar. Mas há apenas uma forma de todos os 6,3 bilhões de nós poderem ter mais sem tornar este planeta inabitável, que é vivendo nossas vidas e conduzindo nossos negócios de modos mais sustentáveis e pagando devidamente por isso".

"No momento nós estamos pagando um preço alto -um imposto- por todos que estão tentando obter mais de um modo sustentável. Mas o 'Imposto Mais' não é uma imposição do governo americano. É uma imposição do mercado e continuará subindo indefinidamente à medida que mais e mais pessoas quiserem mais e mais coisas. Ele elevará constantemente os preços da gasolina, os preços do aquecimento doméstico e os preços da eletricidade nas fábricas. Mas como este 'Imposto Mais' é estabelecido pelo mercado e não pelo governo, muitos oponentes argumentam que não há nada que possa ser feito: 'Ah, US$ 4,50 o galão de gasolina - é apenas o mercado atuando. Não podemos fazer nada a respeito'. E então todo aquele dinheiro dos impostos sai do bolso de vocês e enriquece as companhias de petróleo e os petroditadores."

"Minha proposta é que hoje estabeleceremos um preço durável aos combustíveis fósseis baseados em carbono, mas que começará apenas em 2011, após sairmos desta recessão. Todo construtor de imóveis, fabricante de ar-condicionado, refinadora de gasolina e fabricante de carro saberá o que virá e, eu acredito, começará imediatamente a encontrar formas de lucrar com isso e investir em sistemas mais eficientes em energia. Sim, o custo da gasolina ou quilowatt-hora aumentará a curto prazo. Mas a longo prazo, suas contas e despesas cairão porque seu carro, seus eletrodomésticos e fábricas se tornarão cada vez mais produtivos e lhe darão melhor desempenho por menos energia.

"Eu chamo de 'corte de imposto de carbono'. Você não receberá o dividendo na primeira semana ou mês, mas você o verá em breve, e será uma redução de imposto permanente, um presente contínuo."

"Então estas são nossas opções, pessoal - uma escalada eterna do 'Imposto Mais', sob a premissa de gratificação imediata e pensamento de curto prazo, ou um 'Corte de Imposto de Carbono' para sempre, que é exatamente o que vocês receberão com o estabelecimento de um preço de carbono que molde o mercado a favor os interesses americanos e não os de nossos adversários e concorrentes. Se você está ao meu lado, escreva para seu membro do Congresso e senador já."

Tradução: George El Khouri Andolfato

Thomas L. Friedman

Colunista de assuntos internacionais do "New York Times" desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo.

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