Novas empresas, um presente para os recém-formados

Thomas L. Friedman

Thomas L. Friedman

  • Mary Gober/Stockphoto

    Ao encontrar os formandos neste ano, é melhor não perguntar: Ei, o que você fará no próximo ano?

    Ao encontrar os formandos neste ano, é melhor não perguntar: Ei, o que você fará no próximo ano?

Se você tiver um filho ou filha se formando na faculdade neste ano, você já está avisado. Ao encontrar os formandos neste ano, é melhor não perguntar: “Ei, o que você fará no próximo ano?” Muitos recém-formados não têm uma resposta. Eles não conseguem arrumar emprego nem remotamente relacionados aos seus campos. O tema de formatura deste ano é: “Não pergunte. Não sei”.

Nós devemos aos nossos jovens algo melhor – e a solução não é tão complicada, apesar de ser incrível quão pouco ela é discutida nos debates de políticas em Washington. Nós precisamos de três coisas: novas empresas, novas empresas e mais novas empresas.


Bons empregos – a granel– não vêm do governo. Eles vêm de novas empresas que correm riscos – empresas que tornam as vidas das pessoas mais saudáveis, mais produtivas, mais confortáveis ou mais divertidas, com serviços e produtos que podem ser vendidos ao redor do mundo. Não dá para ser a favor de empregos e contra as empresas.

A propósito, as relações atuais entre o governo Obama e as “empresas” estão bastante estremecidas. Eu não falo sobre Wall Street, que merece o ataque de Obama. Eu falo sobre as pessoas que de fato produzem e vendem coisas. Eu falo sobre os empreendedores e inovadores. Um número surpreendente deles me disse que votou em Obama, e um número igualmente surpreendente deles agora me diz que está descontente. Muitas de suas críticas são injustas. Obama nunca recebeu o crédito que merece por ter estabilizado a economia assustadora que herdou – virtualmente sem nenhuma ajuda dos republicanos. E as empresas nunca gostarão de alguém que aumente o imposto de renda, especialmente para o pagamento do plano de saúde dos outros – mesmo que isso seja de interesse nacional.

Dito isso, eu acho que parte da queixa da comunidade empresarial a respeito de Obama tem mérito. Apesar de existirem muitas iniciativas de “inovação” em andamento em seu governo, elas não são bem coordenadas, não são uma alta prioridade e nem defendidas por uma liderança entendida. Este governo conta com um grande número de acadêmicos, advogados e tipos políticos. Não há nenhum alto funcionário que dirigiu uma grande empresa, fabricou ou vendeu globalmente um novo produto inovador. E isso explica em parte por que este governo tem se mostrado mais interessado em aumentar impostos, os gastos sociais e a regulamentação – e não buscar uma expansão do comércio, competitividade e formação de novas empresas. Inovação e competitividade não parecem interessar a Obama. Mas uma estratégia de crescimento seria útil para ele.

O que ela poderia incluir? Eu perguntei a duas das melhores pessoas neste assunto, Robert Litan, vice-presidente de pesquisa e políticas da Fundação Kauffman, que é especializada em inovação, e Curtis Carlson, presidente-executivo da SRI International, especialistas em inovação com sede no Vale do Silício.

Carlson disse que começaria criando um cargo de secretário de governo exclusivamente para promoção da inovação e competitividade, para assegurar que os Estados Unidos permaneçam “os líderes mundiais na formação de novas empresas”. O novo secretário se concentraria na promoção de iniciativas abrangentes – incluindo menores impostos para novas empresas, redução de regulamentações onerosas (como a lei Sarbanes-Oxley de auditoria para novas empresas), e ampliando os incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento, para tornar mais barata e rápida a criação de novas empresas. Nós precisamos desencadear milhões de empreendedores.

Litan disse que grampearia um green card (visto de residência permanente) ao diploma de cada estudante estrangeiro formado em uma universidade americana e lutaria por um novo visto de empreendedor (o atual, o EB-5, exige US$ 1 milhão em capital, algo que poucos empreendedores estrangeiros têm). Ele concederia residência temporária para qualquer estrangeiro que venha para os Estados Unidos para abrir uma empresa e residência permanente caso essa empresa gere um certo nível de receita e empregos em tempo integral. Uma das melhores medidas que poderíamos adotar, acrescenta Litan, seria um acordo orçamentário a longo prazo que trataria dos pagamentos do Seguro Social/Medicare para a geração do pós-Segunda Guerra Mundial. Provar ao mercado de títulos que teremos a longo prazo nossa casa fiscal em ordem manteria baixas as taxas de juros de longo prazo, portanto “encorajando o investimento privado mais do que qualquer redução de impostos”.

Todavia, eu também cortaria o imposto sobre ganhos de capital para qualquer nova empresa lucrativa de 15% para 1%. Eu quero que nossas melhores mentes ganhem muito mais abrindo novas empresas do que indo trabalhar em Wall Street, para ganharem muito apostando contra as empresas existentes. Eu também imporia um imposto sobre o carbono e compensaria isso com um corte nos impostos corporativos e deduzidos na folha de pagamento. Vamos taxar o que não queremos e encorajar o que queremos.

“Felizmente, este é o melhor momento para a inovação”, disse Carlson, por três motivos: “Primeiro, apesar da concorrência estar cada vez mais intensa, nossa economia global abre imensas novas oportunidades de mercado. Segundo, a maioria das tecnologias –como são cada vez mais baseadas em ideias e bits e não em átomos e músculos – está melhorando em taxas rápidas, exponenciais. E terceiro, essas duas forças –mercados imensos e competitivos e rápida mudança tecnológica– estão abrindo uma grande nova oportunidade atrás da outra. É um momento de abundância, não de escassez – desde que façamos as coisas certas com uma verdadeira estratégia de crescimento nacional. Caso contrário, rapidamente se transformará em um mundo de escassez”.

 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Thomas L. Friedman

Colunista de assuntos internacionais do "New York Times" desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo.

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