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Anderson Baltar


Novo regulamento do Grupo Especial reduz custos e procura agradar à Globo

Vista geral da Marquês de Sapucaí momentos antes da apuração do Carnaval do Rio de Janeiro 2019 - Bruna Prado/UOL
Vista geral da Marquês de Sapucaí momentos antes da apuração do Carnaval do Rio de Janeiro 2019 Imagem: Bruna Prado/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

13/09/2019 13h25

As modificações no regulamento do desfile do Grupo Especial para o Carnaval 2020 deixam patente que a crise financeira atingiu em cheio ao desfile das escolas de samba cariocas. Sem verbas municipais e sem os enredos patrocinados, as agremiações apostam na racionalização de recursos e, mais do que nunca, apegam-se ao contrato de transmissão televisiva com a Globo como uma verdadeira tábua de salvação para os seus desfiles.

Desta forma, a principal mudança, a redução do tempo máximo de desfile para 70 minutos, cinco a menos do que o vigente em 2019, mostra a necessidade, há muito preconizada pelo presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), Jorge Castanheira, de enxugar o espetáculo para que ele caiba na grade televisiva. Não à toa, o dirigente bate na tecla de reduzir o desfile para 12 escolas - o que seria mais agradável para os interesses da emissora.

O fato é que, nos últimos 15 anos, o tempo de desfile foi reduzido em 15 minutos e a Rede Globo, que detém a exclusividade da transmissão, insiste em não exibir o desfile na íntegra, sempre sacrificando a primeira escola a se apresentar - que não é mostrada ao vivo. Enquanto as escolas diminuem seus espetáculos, a emissora não dá o retorno aguardado, privilegiando sua programação normal.

Previsível foi a redução do limite mínimo de carros alegóricos, de cinco para quatro. O máximo, de seis, permanece, assim com a possibilidade de uso de três tripés, sem contar com o da comissão de frente. Em momento de enxugamento de custos, nada mais natural do que dar às escolas a possibilidade de cortar uma alegoria e reduzir orçamentos. O preocupante é constatar que o desfile das escolas de samba cada vez encolhe de tamanho. Hoje uma escola do Especial tem o tamanho de uma do Acesso de 15 anos atrás.

Outra medida foi a redução do número de módulos de julgamento, de quatro para três. Teoricamente, servirá para compensar a perda dos cinco minutos já que, normalmente, uma escola fica parada em frente a um módulo por tempo semelhante por conta das apresentações da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. As baterias não serão mais obrigadas a parar para os jurados. Mudanças positivas, já que o cortejo ganhará maior fluência. A dúvida ainda é se haverá descarte de notas ou se os três módulos valerão na pontuação final.

Outro acerto foi a limitação, pelo regulamento, do verdadeiro bloco de bicões, que ganham camisas para desfilar e emporcalham o visual das escolas. Em 2020, apenas 30 pessoas poderão passar à frente e 100 ao final de cada desfile - quem descumprir, estará sujeito a penalizações no regulamento.
Complicada é a decisão de, a partir de 2021, estipular a divisão da verba da TV Globo a partir do desempenho da escola no Carnaval anterior. Ou seja, quanto melhor for a classificação, maior será a remuneração. Em um julgamento onde o peso de bandeira e bastidor ainda reverbera fortemente na cabeça de alguns jurados, podemos ter a perpetuação da condição de favoritas para algumas escolas em detrimento de outras.

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