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Exposição apresenta o imaginário dos Carnavais de Rosa Magalhães

Exposição em homenagem a Rosa Magalhães lembra diversos momentos de sua carreira - Divulgação
Exposição em homenagem a Rosa Magalhães lembra diversos momentos de sua carreira Imagem: Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

09/02/2019 12h41

Com a presença da homenageada, foi inaugurada, na noite desta sexta (8), no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, a exposição "Uma Delirante Celebração Carnavalesca: O Legado de Rosa Magalhães".

Com um diversificado acervo, conjugando quadros, esculturas, fotos, maquetes, peças de vestuário, perucas e instalações, a mostra tem o objetivo de apresentar a visão de 35 artistas, de diferentes áreas e tendências, sobre a carnavalesca da Portela, detentora de sete títulos do Carnaval carioca.

Sorridente, enquanto autografava o recém-lançado livro "E Vai Rolar a Festa", sobre suas experiências como diretora das cerimônias de abertura do Pan 2007 e de encerramento da Olimpíada 2016, a carnavalesca afirmou estar emocionada com a oportunidade de ter sua obra revisitada: "Estou muito feliz. É raro ver o Carnaval ocupar os salões de uma galeria de arte. Ele está presente nos trabalhos de muitos artistas contemporâneos, que, em algum momento, já produziram fantasias, quadros e até decorações de bailes carnavalescos. O que falta é catalogar esse trabalho".

Disposta em três ambientes, a exposição leva o visitante a uma viagem pelo imaginário de Rosa. Logo na entrada, a sua formação como pessoa e artista, com menções a seus pais, Raimundo Magalhães Junior, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, e Lúcia Benedetti, autora teatral.

Sua maior influência, Fernando Pamplona, carnavalesco e seu professor na Escola de Belas Artes da UFRJ, também é lembrado.

A primeira sala contém trabalhos que relembram as viagens imaginárias dos enredos de Rosa. Vários barcos são retratados. Como destaca o curador da exposição, Leonardo Antan, a homenageada levou para a avenida cerca de 30 enredos com barcos e navios. "Ninguém colocou tanta embarcação na Sapucaí quanto Rosa Magalhães. Por isso, nessa primeira parte, procuramos, dentre vários artistas contemporâneos, obras que dialogam com Carnavais inesquecíveis dela", explica.

exposição rosa magalhães - Divulgação - Divulgação
Bonecos vestem réplicas de fantasias que a carnavalesca já apresentou em desfiles
Imagem: Divulgação

Na segunda sala, batizada de "Diáspora", artistas que integram a equipe de Rosa Magalhães têm suas obras expostas. O terceiro ambiente retrata a visão de brasilidade da artista e tem peças criadas por carnavalescos como Jack Vasconcelos (Paraíso do Tuiuti), Jorge Silveira (São Clemente) e da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad (Acadêmicos do Cubango).

Jack optou por trazer uma junção entre o seu enredo de 2019 e um dos desfiles mais icônicos de Rosa: "Fiz a junção do bode Ioiô com o jegue do Carnaval de 1995. A Rosa é a minha maior influência. Quando comecei a desfilar, na Imperatriz, eu vestia as fantasias dela", afirma.

Gabriel Haddad elaborou um anjo barroco, tão caro à obra da homenageada, forrado com uma estamparia de onça. "Foi a minha forma de apresentar a visão tão peculiar de Brasil que a Rosa tem", explica o carnavalesco.

Leonardo Bora, por sua vez, além de ter auxiliado com embasamento teórico da mostra, lançará, em abril, um livro sobre Rosa Magalhães. "Fiz meu mestrado e doutorado na Faculdade de Letras da UFRJ sobre o trabalho dela. Ela é a referência para nossa geração de carnavalescos e tem um estilo único de criar suas narrativas", afirma.

A mostra, que foi financiada por uma campanha de arrecadação pela internet, ficará aberta ao público até 27 de abril, de segunda a sábado, das 12h às 18h. O Centro de Artes Hélio Oiticica fica na rua Luis de Camões, 68, no centro do Rio. 
 

Anderson Baltar