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Anderson Baltar


Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre brilham na 2ª noite do Carnaval de SP

ALICE VERGUEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO
Detalhe da comissão de frente da Gaviões da Fiel no Carnaval 2019 Imagem: ALICE VERGUEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

2019-03-03T07:17:43

03/03/2019 07h17

Na segunda noite do Grupo Especial paulistano, o bom público que compareceu ao Anhembi assistiu a desfiles muito fortes de Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre. Com evolução forte e bom visual, as duas escolas se sobressaíram e se juntaram a Tom Maior e Mancha Verde na disputa do título, que promete ser acirrada. Como todas as principais postulantes falharam em algum quesito, a apuração da próxima terça-feira promete ser emocionante e decidida nos detalhes.

Com um desfile de raça, Vai-Vai está em um patamar abaixo, juntamente com a Águia de Ouro e Dragões da Real. Por sua vez, Unidos de Vila Maria e Rosas de Ouro fizeram desfiles com bons quesitos, mas que serão insuficientes para qualificá-las entre as seis primeiras colocadas, que voltarão ao Anhembi na próxima sexta-feira.

Águia de Ouro

A Águia de Ouro abriu a segunda noite trazendo um dos melhores sambas-enredos do ano. Com o reforço de Laíla e Fran Sérgio, da Unidos da Tijuca, em sua Comissão de Carnaval, a escola fez um desfile baseado no canto forte. Ilustrando o enredo "Brasil, eu quero falar de você! Que pais é esse?", alegorias que apostaram na teatralização e na comunicação com o público - que, por sinal, reagiu muito bem em vários momentos de seu desfile.

O samba confirmou a expectativa e teve ótimo desempenho, assim como a bateria. Porém, a Águia falhou na evolução. Da metade para o fim do desfile, a escola precisou apertar o passo. Após a saída da bateria do recuo, abriu-se um buraco à frente do quinto carro. Por muito pouco a escola não ultrapassou o tempo máximo estipulado de 65 minutos. Pelo que apresentou, a Águia deverá ficar no pelotão intermediário da classificação.

Dragões da Real

Com o enredo "A invenção do tempo. Uma odisseia em 65 minutos", do carnavalesco Mauro Quintaes, a Dragões apresentou um belo conjunto alegórico e fantasias extremamente bem acabadas e de bom gosto. De início, causou impacto com uma das melhores comissões de frente que passaram pelo Anhembi. Representando uma máquina do tempo, fazia componentes se transformar em macacos e personagens como Gustavo Kuerten, Cazuza e Ayrton Senna surgiam.

Porém, a tricolor realizou um desfile frio. O canto nas alas se mostrou de forma desigual e o apenas razoável samba-enredo não contagiou o público. Os momentos de maior interação foram na passagem dos carros alegóricos, que além de impactantes contavam com teatralizações. Apesar dos problemas na harmonia, a Dragões fez uma apresentação que a credencia a brigar na parte de cima da tabela.

Mocidade Alegre

A vermelha, verde e branca foi a terceira a entrar no Anhembi e, desde o início, impactou pela beleza de seu visual. Com o enredo "Ayakamaé. As águas sagradas do sol e da lua", valeu-se de fantasias muito caprichadas e coloridas e carros alegóricos extremamente bem acabados. A escola desfilou muito animada, mantendo a constância do canto em todo o desfile.

A comissão de frente, muito bem ensaiada, arrancou aplausos da arquibancada. Porém, sua coreografia, um tanto extensa, atrasou a evolução da escola. Nos 20 minutos finais, as alas passaram em um ritmo acelerado. Com uma boa dose de tensão, a Mocidade Alegre encerrou seu desfile com 65 minutos. Uma apresentação que teria tudo para ser tecnicamente perfeita foi prejudicada com essa falha - que certamente será penalizada pelos jurados e poderá tirar a escola do páreo. Mesmo assim, pela qualidade dos outros quesitos, a Mocidade Alegre não pode ser descartada na apuração de terça-feira.

Vai-Vai

Após uma pré-temporada de disputas políticas e desavenças, o Vai-Vai deu o seu recado no Anhembi. Apresentando o enredo "O Quilombo do Futuro", a escola do Bixiga apresentou-se com muita garra e teve uma evolução e harmonia impecáveis. Exaltando a raça negra e combatendo todas as formas de preconceito, teve sua mensagem entendida e aplaudida pelas arquibancadas, que aplaudiu muito a ala que trazia um painel em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada há um ano.

Porém, a parte plástica da escola deixou a desejar. O conjunto alegórico foi desigual, com os últimos carros registrando perda de qualidade e alguns problemas de acabamento. Mesmo assim, escorada em um bom samba e na atuação irrepreensível da intérprete Grazzi Brasil, o Vai-Vai fez um desfile que permite sonhar com a volta no Desfile das Campeãs.

Rosas de Ouro

Apresentando o enredo "Viva Hayastan", sobre a Armênia e a vida de seus imigrantes no Brasil, a Rosas de Ouro procurou se reabilitar do Carnaval do ano passado, quando teve sérios problemas de concepção e acabamento de alegorias e fantasias. Neste ponto, a escola cumpriu sua missão. Carros e roupas passaram com correção, mas sem causar grande impacto. Abusando das cores da escola, a Rosas fez um desfile sem percalços nos quesitos plásticos.

Porém, em um ponto a escola regrediu em relação a 2019: o samba-enredo, que não conseguiu contagiar o público. Os componentes fizeram sua parte, mas a escola não se comunicou. Em um quesito, a qualidade foi mantida: a bateria, que foi uma das melhores do Carnaval. Certamente, a Rosas de Ouro ficará no pelotão intermediário, sem alcançar uma vaga nas Campeãs, mas também sem correr risco de rebaixamento.

Unidos de Vila Maria

Contando a história e tradições do Peru, com o enredo "Nas asas do grande pássaro, o voo da Vila Maria ao Império do Sol", a Unidos de Vila Maria apresentou um trabalho estético interessante, com alegorias imponentes e bem acabadas e fantasias com uma paleta de cores agradável. Outro destaque foi a performance do casal Everson Sena e Lais Moreira - ela, que teve problemas com sua fantasia no desfile do ano passado, desta vez deu a volta por cima com uma atuação segura.

Todavia, o samba-enredo foi o grande calcanhar de Aquiles da Vila Maria. Os componentes tentaram, mas não conseguiram fazer o desfile fluir com empolgação. Pela qualidade visual, a Vila Maria pode até ter uma boa avaliação, mas, no conjunto, não deverá postular uma vaga no Desfile das Campeãs.

Gaviões da Fiel

Reeditando o enredo de 1994 "A saliva do santo e o veneno da serpente", a Gaviões da Fiel entrou no Anhembi sacudindo sua imensa torcida que ocupava as arquibancadas. Com a força do seu samba, que estava na ponta da língua de todos os componentes, a escola flutuou pela avenida, fazendo um desfile de evolução e harmonia impecáveis. Além disso, a bateria de mestre Ciro Castilho deu um verdadeiro show de entrosamento.

As fantasias também se destacaram, com um colorido que sobressaiu com o dia claro. As alegorias também causaram impacto, mas apresentaram pequenos problemas de acabamento - o que pode acarretar penalização neste quesito. Nos braços do povo, a Gaviões encerrou seu desfile sonhando com a reconquista do Carnaval, que lhe escapa desde 2003.

Qual foi a melhor escola da segunda noite de desfiles em São Paulo?

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18,41%
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