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Anderson Baltar


Julgamento coerente consagra Mangueira e rebaixa Imperatriz

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

2019-03-06T20:54:53

06/03/2019 20h54

O Carnaval carioca tem uma campeã incontestável. Escorada em um ótimo enredo, um samba que já tinha tomado conta da cidade antes do desfile,  um trabalho irrepreensível do carnavalesco Leandro Vieira e de um chão empolgado, a Estação Primeira de Mangueira conquistou o título com pontuação máxima - o que fez jus ao ótimo desfile que realizou na madrugada de terça-feira. É a segunda vitória da verde e rosa nos últimos quatro anos e que reafirma o nome de seu carnavalesco como um dos principais nomes da folia atual.

Em seguida, Unidos do Viradouro. A escola niteroiense, que retornava ao Especial, trouxe um belo Carnaval de Paulo Barros e foi penalizada no seu  samba-enredo, inferior ao da Mangueira. Perdeu um décimo inexplicável em alegoria, mas mesmo assim, fez-se justiça ao grande trabalho da agremiação. Vila Isabel, em terceiro, fez um desfile de impacto, mas foi corretamente penalizada em samba-enredo. Portela, Salgueiro e Mocidade completarão o sábado das Campeãs e fizeram por merecer essa consagração.

Na ponta de baixo da tabela, os justos rebaixamentos de Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano. Resta agora a expectativa para que o regulamento seja cumprido e que, desta vez, a Liesa não tenha medo de mandar para o Grupo de Acesso uma escola grande. Oito vezes campeã do Carnaval, a Imperatriz abusou do direito de errar e precisa se reciclar. A epopeia da Série A pode ser a oportunidade da verde, branca e ouro da Leopoldina retomar seu caminho de vitórias. Já o Império Serrano, outrora poderoso, vive uma crise de identidade há muitos anos e não consegue sobreviver às suas disputas políticas internas.

Unidos da Tijuca, injustamente penalizada em samba-enredo, acabou ficando fora do Desfile das Campeãs e teve que se contentar com o sétimo lugar. O oitavo lugar do Paraíso do Tuiuti foi adequado para um desfile que teve problemas de evolução e alegorias. Contando com a benevolência dos jurados de alegorias e adereços, a Grande Rio conseguiu o nono lugar, à frente da União da Ilha, que realizou um desfile digno e deveria ter ficado à frente lugar da escola de Caxias.

A atual campeã, Beija-Flor teve que se contentar com o 11º lugar - uma posição justa para o mau desfile apresentado. Com enredo confuso, samba-enredo pouco inspirado e sem a pegada tradicional, a escola de Nilópolis precisa se reciclar para 2020. Sem Laíla e com um trabalho conceitual confuso, a Beija-Flor ficou na pior classificação dos seus últimos 43 anos. 

A se lamentar apenas o preconceito dos jurados com a São Clemente. O bom desfile da escola da Zona Sul merecia sorte melhor. O antepenúltimo lugar foi um castigo para um dos desfiles mais divertidos e corajosos do Carnaval 2019. O preconceito contra sua bandeira pesou e quase a condenou a um rebaixamento injusto.

No Grupo de Acesso, venceu a Estácio de Sá, que superou os Acadêmicos do Cubango por meio ponto. Mais um resultado coerente, que nos faz acreditar que os ventos no Carnaval carioca voltaram a soprar na direção correta.